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'Le Tango de nos Amours', de Bela Silva: Do desenho como jura e inspiração

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Regresso do universo exuberante, barroco, colorido e vital de Bela Silva, em desenhos e colagens inéditos, agora sob o signo do amor. A exposição Le Tango de nos Amours pode ser vista até 17 de março na galeria Alecrim 50, em Lisboa

Pedro Ferreira

Não é a primeira vez, nem será a última, que Bela Silva cria desenho e colagem. Esta criadora de cerâmicas encantatórias e esculturas barrocas sente o músculo ventricular rendido a um pas de deux quando pega no lápis – ou nos tecidos, livros antigos e objets trouvés, “coisas abandonadas, perdidas, descobertas de Feira da Ladra, a que se dá uma second chance”, diz esta respigadora assumida à VISÃO Se7e. “Os desenhos e colagens são sempre pontos de fuga”, explica. “É um espaço de liberdade, em que respiro fundo face ao trabalho das esculturas que são pesadíssimas, um processo repetitivo e solitário a que me entreguei nestas últimas grandes exposições [Desorient Express, no Museu do Oriente, 2016, e O Jardim das Tentações, no MNAA, 2017].”

Recém-chegada de Bruxelas, onde vive parte do tempo, queixa-se do difícil e cinzento inverno belga. Valeu-lhe o espaço de trabalho privilegiado – “o meu país é o meu atelier” −, valeu-lhe a releitura de Madame Bovary e valeu-lhe ainda a paixão pela cor. Tudo resultou em Le Tango de nos Amours, uma dezena e meia de obras sujeitas à “temática do amor”. O processo é imprevisível como uma emoção. “Começo a desenhar, mas nunca sei como vai acabar... E quando estou de tesoura na mão, para fazer as colagens, passo-me. É como dançar sem ter ninguém a pisar-me os pés.” Aqui, encontra-se uma pauta do tema de Cole Porter, Let's Do It (Let's Fall in Love), intervencionada com um cavaleiro andante ou uma menina rodeada de animais e flores sensuais intitulada O! Ma Poupée d'Amour. Há também um peixe a devorar um pássaro, em Le Charme Étrange (Voyeurs), e um jardim edénico com a legenda Amor numa Ilha. E ainda vestígios dos tecidos e papéis que integraram a experiência de ser a primeira artista portuguesa a criar um lenço para a Hermès. Trabalhos de amor, portanto.

Pedro Ferreira

Le Tango de nos Amours > Alecrim 50 > R. do Alecrim, 50, Lisboa > T. 21 346 5258 > até 17 mar, ter-sáb 14h-19h