Visão Sete

Siga-nos nas redes

Perfil

Na exposição 'Intrínseco', Vhils reflete sobre a urbe. Para ver na Galeria Vera Cortês, em Lisboa

Ver

Alexandre Farto (Vhils) anda a produzir obra pelo mundo há dez anos. Uma experiência global agora explorada, refletida e “cristalizada” na nova exposição a solo, Intrínseco, na Galeria Vera Cortês, em Lisboa. Para ver até meados de março

O artista plástico resume a exposição como sendo “uma reflexão sobre a urbe”

O artista plástico resume a exposição como sendo “uma reflexão sobre a urbe”

Em 2014, a exposição Dissecção/Dissection levou mais de 65 mil pessoas ao antigo Museu da Eletricidade para ver o trabalho de Vhils, o artista plástico que começou como street artist, hoje autor de intervenções de arte pública de grande escala – retratos reconhecíveis, militantes, globais, escavados na parede, jogando com as noções de dimensão arquitetural, ruína sociológica, testemunho politizado, comunidade e universalismo. Quatro anos depois desse sucesso – uma validação museológica e uma consagração –, Alexandre Farto regressa com um “apanhado em jeito de reflexão”, como diz à VISÃO Se7e, sobre os últimos cinco anos de trabalho em várias cidades do mundo.

Intrínseco, título investido de potenciais cargas identitárias e depurações formais, tem por base “uma coleta de imagens”, constituindo-se essencialmente como “uma reflexão sobre a urbe”. Ou seja, sobre “aquilo que nos aproxima e nos unifica neste modelo global, mas também sobre a maneira como este nos é imposto e nos condiciona a sermos como somos e a reagirmos no dia a dia”. Na galeria, o público confronta-se com cerca de oito peças, dispostas em diversas camadas, que podem funcionar isoladamente mas cuja intenção é criar ligações entre si (uma instalação constituída por placas de PVC que se quer aberta a infindas possibilidades de leitura aos olhos do visitante que a percorre). “Como em tudo, a subjetividade da verdade e da realidade depende muito do nosso ponto de vista social, cultural ou histórico”, sublinha Vhils.

Sempre presentes, estão a práxis e ethos do artista plástico: “A disposição em camadas [da instalação] fala-nos também do processo de sobreposição, de saturação de estímulos, a que estamos sujeitos e da ofuscação da identidade que daí resulta. Vem também no sentido de explorar aquilo que a cultura pop é hoje em dia: a saturação de cores, o aumento exagerado do brilho e contraste que vemos atualmente na imagética e forma a nossa cultura visual, a plastificação de tudo o que é identidade, património, cultura e história.”

Prevista para 2019, a estreia do documentário O Sentido da Vida, realizado por Miguel Gonçalves Mendes, vai mostrar o trabalho de Vhils na Estação Espacial Internacional. O céu não é o limite...

Intrínseco > Galeria Vera Cortês > R. João Saraiva, 16, 1º, Lisboa > T. 21 395 0177 > até 17 mar, ter-sex 14h-19h, sáb 10h-13, 14h-19h