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Da inverdade como obra de arte

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Entre verdade e invenção, as novas exposições do Centro José de Guimarães ambicionam questionar a perceção da realidade. Fake news? É só o começo

O artista sueco Christian Andersson, nascido em 1973, que se autorretratou usando um fóssil no rosto (Living Fossil, 2013), tem-se dedicado a explorar questões relacionadas com a releitura da experiência humana e da obra de arte, a apropriação de referências históricas, pontos de vista alternativos. When Science Fiction Was Dead apresenta peças inéditas, produzidas para Guimarães, e obras incontornáveis. Veja-se Scanner (2012), instalação constituída por plintos encimados pela reprodução de cinco silhuetas do famoso teste de Rorschach (em que tantos garantem, sendo assim enquadrados na grelha da normalidade, que “veem” borboletas...) que são ativadas num movimento de rotação elétrica, proporcionando a ilusão de uma figura tridimensional que confronta o observador – à maneira de um panótico, sublinha o artista. Um questionamento sobre a prisão dos pontos de vista aceites.
Outra obra emblemática é apresentada no Centro Internacional das Artes José de Guimarães (CIAJG): From Lucy With Love (2011), instalação-montra naturalista de grandes dimensões, em que estão dispostos o crânio de Lucy, Australipithecus afarensis, a primeira criatura hominídea segundo a comunidade científica, e diversos artefactos com uma timeline, cuja exploração revela uma leitura alternativa da História e da verdade tal como a conhecemos.
Na mesma data, inauguram-se ali duas outras exposições que diluem ideias feitas: Duplo Negativo de Miguel Leal, intervenção de grande escala declinada em vários média, propõe “uma experiência da dissolução dos limites e das fronteiras territoriais e conceptuais”; Teoria das Exceções, Ensaio para uma História Noturna ensaia uma nova montagem da coleção permanente do CIAGJ, cruzando a arte contemporânea de Vasco Araújo, Ernesto de Sousa ou Mumtazz, entre outros, com peças das coleções de arte africana, pré-colombiana e chinesa antiga, de José de Guimarães. Atenção às visões alternativas, recordam-nos.

When Science Fiction was Dead > Centro Internacional das Artes José de Guimarães > Av. Conde Margaride, 175, Guimarães > T. 253 424 715 > 18 fev-10 jun, ter-dom 10h-13h/14h-19h > €3 a €4