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Viagem à democracia portuguesa na Casa da Arquitetura, em Matosinhos

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Em A Casa da Democracia: entre Espaço e Poder, a nova exposição na Galeria da Casa da Arquitetura, em Matosinhos, que inaugura este sábado, 17, cruza-se a evolução política do país com as transformações arquitetónicas do Palácio de São Bento, sede da Assembleia da República

Foram muitas as transformações sofridas ao longo do tempo pelo Palácio de São Bento, em Lisboa, que acolhe a Assembleia da República, desde 1895, dos tempos em que foi um Mosteiro da Ordem Beneditina, até 1999, ano da sua última requalificação a partir do projeto de Fernando e Bernardo Távora. Tantas quantas teve a nossa história, diríamos.

A Casa da Democracia: entre Espaço e Poder, segunda exposição a ocupar a Galeria da Casa da Arquitetura (CA), em Matosinhos, pretende “pensar a Assembleia da República como objeto de ensaio sobre as relações entre espaço e poder. E, ao mesmo tempo, “a forma como a arquitetura expressa um determinado projeto político”, salienta Susana Ventura, curadora desta mostra que é já o resultado do protocolo celebrado com a CA para o tratamento arquivístico dos projetos dos edifícios da Assembleia da República.

Dividida em quatro núcleos Monarquia Constitucional, Primeira República, Estado Novo e Democracia a exposição apresenta-nos as diferentes apropriações do edifício consoante os regimes vigentes. Durante a época do Estado Novo, por exemplo, veremos imagens das galerias vazias, com todas as decisões a passarem pelo gabinete de António de Oliveira Salazar. “No Estado Novo houve a necessidade de dar uma imagem mais monumental ao edifício”, lembra Susana Ventura, dando como exemplo o projeto de Cristino da Silva que eliminou “qualquer expressão de vida urbana no espaço público”, desenhando a escadaria e vários jardins laterais como forma de “desmotivar a ocupação do espaço pela população”.

Mais tarde, no pós 25 de Abril, o projeto de Fernando e Bernardo Távora, porém, devolveu o edifício à cidade. “O edifício novo é parte integrante do tecido a que se une formalmente, evocando inclusive o pedaço de cidade que os frades beneditinos impulsionaram em redor do Palácio”, lembra Susana Ventura. “A arquitetura democrática do edifício novo – indiferente ao poder que a ergue, anónima, porque pertence à rua de todos – permite também que o Palácio de São Bento continue a afirmar-se como monumento”, reforça.

Esta exposição, acrescenta a curadora, pretende “desconstruir a imagem da Assembleia da República (AR) como edifício institucional”. Através de fotografias de Paulo Catrica, o visitante percorre zonas atuais da AR que o público não conhece, num projeto expositivo da arquiteta Luísa Bebiano que colocou uma espécie de círculo a meio da sala da galeria muito semelhante ao hemiciclo, esse sim, que todos conhecemos.

A Casa da Democracia: entre Espaço e Poder > Casa da Arquitetura, Av. Menéres, 456, Matosinhos > 17 fev - 15 abr, ter-sex 10h-18h, sáb-dom 10h-19h > €2 (Galeria da Casa)