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Coleção Moderna do Museu Gulbenkian: Arrumar a casa

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Mostrar o acervo renovado e mudá-lo três vezes por ano, 
eis o futuro da Coleção Moderna, agora exposta em permanência no Museu Calouste Gulbenkian, em Lisboa

A instalação de 34 rádios-gravadores portáteis em loop de Rui Toscano faz parte da coleção

A instalação de 34 rádios-gravadores portáteis em loop de Rui Toscano faz parte da coleção

Os visitantes são agora recebidos por Árvore jogo/Lúdico em sete imagens espelhadas (1974-2009), de Alberto Carneiro: o tronco de uma oliveira, recolhida num campo de árvores desenraizadas, repousa entre ramos espalhados e painéis refletores. A instalação do pioneiro da land art portuguesa, apresentada em 1975 na Galeria Quadrum e refeita pelo artista em 2009 para o antigo Centro de Arte Moderna, é a anfitriã certa face ao impacto da nave principal: todo o seu piso está ocupado por esculturas, numa viagem cronológica iniciada pela herança oitocentista e influência francesa dos anos 1900 a 1928 (muitos bustos) e a estatuária do Estado Novo (Leopoldo de Almeida, Canto da Maya...), passando depois pelas ruturas dos anos 1960 e 1970 (esculturas geométricas de Ângelo de Sousa e António Areal, assemblages de Lourdes Castro...), os produtivos 1980-1990 (Ana Vieira, Calhau, Sanches, Chafes...), até ao século XXI marcado pela internacionalização e liberdade total dos artistas (Upa! União dos povos de Angola [2006], de Miguel Palma, um modelo de bomba de napalm, aponta para a “fruta” em pedestais dos Musa Paradisiaca).

Juntam-se-lhes, no piso debaixo, aquisições recentes: No Saying Yes/Não Dizer Sim (2003-2013), instalação de 34 rádio-gravadores portáteis em loop, de Rui Toscano, Gueto #2 (2016), prateleira híbrida de cimento de Pedro Valdez Cardoso, Bollocks I (2016), de Mariana Gomes, que espalhou pinturas a óleo na parede inteira, entre outras obras de Ana Cardoso, João Louro, Sara Bichão... Mas há mais temas e media em destaque na nova exposição permanente: as Pinturas Negras, dos anos 1990, de António Charrua, Michael Biberstein e Julião Sarmento; Lisboa, cidade triste e alegre, com fotografias de 1950 a 1970, de Fernando Lemos, Victor Palla, Sena da Silva; as pinturas do Bristol Club (1925)...

A Coleção Moderna mostra-se renovada com 94 obras de arte, e, a partir de 2018, as novidades repetem-se três vezes por ano, para garantir a vida e interesse do acervo – agora, um efetivo Museu da Coleção Moderna.

Museu Calouste Gulbenkian – Coleção Moderna > R. Dr. Nicolau Bettencourt, Lisboa 
> T. 21 782 3000 > qua-seg 10h-18h > €10 (inclui acesso a Coleção do Fundador)