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Joalharia e Música: O mundo numa coletiva de (e para) mulheres

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A joalheira Ana Pina desafiou 39 criadoras de 18 países - da Nova Zelândia ao Chile – para uma coletiva de inspiração musical. Há notas e instrumentos a tocar em anéis, brincos e alfinetes criados em prata com vinil e fragmentos naturais, para ver até 31 de dezembro no Tincal lab, no Porto

Maria Koutami destruiu parte da sua coleção de vinil para criar o colar Blissfully

Maria Koutami destruiu parte da sua coleção de vinil para criar o colar Blissfully

Tudo aqui é joalharia contemporânea: os projetos de curadoria e experimentação, as mesas disponíveis para ocupação mensal ou pontual, os equipamentos e até mesmo o grupo reduzido de criadores. É numa das paredes do Tincal lab, ateliê e plataforma virtual, fundado pela joalheira Ana Pina, que podemos ver o mundo numa coletiva que reúne mais de uma centena de criações contemporâneas, visitável até 31 de dezembro.

Da Nova Zelândia ao Chile, passando por países como Suíça, Espanha e Brasil, a exposição mostra “peças exclusivas, muito interessantes”. Segundo Ana Pina, “têm uma abordagem bastante diferente, usam materiais invulgares. Não estão tão ligadas ao metal como acontece em Portugal”.

Depois do cinema, Ana Pina, cujas peças são muito influenciadas pela arquitetura e a geometria, com jogo de escalas e abstração, lançou o desafio a joalheiros nacionais e internacionais para criarem três peças contemporâneas inspiradas na música (com um valor máximo de €100 cada).

Blowing (alfinete), compressing (pin) e swish (alfinete) são as propostas da criadora chilena Angela Malhues

Blowing (alfinete), compressing (pin) e swish (alfinete) são as propostas da criadora chilena Angela Malhues

São colares, alfinetes, anéis, brincos e pulseiras, “pendurados” em trechos de melodias e de instrumentos, pedaços de natureza ou até mesmo de uma coleção privada. Não é por acaso. “Na joalharia contemporânea é possível usar-se de tudo”, nota a criadora. Nesta exposição há de tudo, mesmo. Fragmentos de tijolo, espuma, alpaca, vinil, fungos de árvore, conchas e tecidos articulados com metais como a prata, o aço e o bronze. A eles juntam-se cordas de baixo e muitas palhetas.

David Bowie é figura recorrente, tendo inspirado brincos e colares. Ao lado, estão tubas miniatura, em couro e debruadas a cor-de-rosa, para levar ao peito num alfinete. “Quero mostrar o que de melhor se faz em termos de joalharia de autor em todo o mundo, mas também permitir que o público visite e adquira as criações”, explica a joalheira.

O Tincal lab ocupa parte do segundo piso do número 27 da Rua de Cedofeita, a dois passos da Praça Carlos Alberto, no Porto. “É um espaço de trabalho à porta fechada, mas é visitável. É só bater à porta”, diz Ana Pina.

Joalharia e Música > Tincal Lab > R. de Cedofeita, 27, 2º, Porto > até 31 dez, seg-sex 10h-19h