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José de Almada Negreiros no Museu Soares dos Reis: O fascínio do cinema animado

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Pela primeira vez, expõem-se os vidros usados em lanterna mágica e criados por José de Almada Negreiros, numa mostra com 90 das suas obras. José de Almada Negreiros: desenho em movimento está no Museu Nacional Soares dos Reis, no Porto, até meados de março

Paulo Costa

“É um convite a olhar algumas obras do artista sobre o prisma do cinema”, começa por dizer Mariana Pinto dos Santos, curadora da exposição José de Almada Negreiros: desenho em movimento, patente no Museu Nacional Soares dos Reis, no Porto, até meados de março do próximo ano. 
A relação de Almada Negreiros (1893-1970), artista multidisciplinar e figura ímpar do modernismo português, com a imagem em movimento “marcou a sua obra”, acredita Mariana Pinto dos Santos.


A exposição reúne nove dezenas de trabalhos, maioritariamente desenhos, mas também algumas pinturas, e os vidros usados em lanterna mágica, que vão ser mostrados ao público pela primeira vez. Foi só durante a grande antológica na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, que uma família concluiu ter em casa desenhos recortados e pintados por Almada Negreiros. 
“É extraordinário. Os vidros usados em lanterna mágica não eram conhecidos, não se sabia que existiam”, conta a curadora.

No Museu Soares dos Reis são apresentadas várias obras de Almada, como a lanterna mágica La Tragedia de Doña Ajada (1929) e o “filme fingido” O Naufrágio da Ínsua (1934), composto por 64 desenhos, criados para apresentação pública em tela, real ou imaginada. Expõem-se, ainda, ligadas à imagem em movimento, reproduções de grande escala de painéis usados na decoração de uma sala em Madrid. “É um trabalho extraordinário em baixo-relevo, onde se conta uma espécie de história do cinema”, explica Mariana Pinto dos Santos.

Sem núcleos definidos, a exposição, realizada em colaboração com a Fundação Calouste Gulbenkian, é bastante fluida no percurso que encaminha o visitante para o centro, onde estão os vidros usados em lanterna mágica. “É uma caixa dentro de caixas”, salienta a curadora, sublinhando a importância da linguagem do cinema na produção artística de Almada, em particular no desenho humorístico e na narrativa gráfica. “Tinha um fascínio absoluto pela animação.”

José de Almada Negreiros: desenho em movimento > Museu Nacional Soares dos Reis > Palácio dos Carrancas > R. de Dom Manuel II, 44, Porto > T. 22 339 3770 > 30 nov-18 mar, ter-dom 10h-18h > €5