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'A Arte do Livro de Arte': Uma exposição feita de deslumbramento

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Mostrar livros-objeto, obras únicas que desafiam limites e fronteiras, eis a missão da UQ! Editions. Agora, mostram em Portugal a sua coleção de nove obras, feitas à mão e por vocação. A exposição A Arte do Livro de Arte está no Le Consulat, em Lisboa, até final de janeiro

Obra de Paulo Climachauska, exposta em A Arte do Livro de Arte

Obra de Paulo Climachauska, exposta em A Arte do Livro de Arte

A história é longa, garante Leonel Kaz, sotaque brasileiro. “Em meados dos anos 1970, tive uma editora chamada Alumbramento, onde criámos livros feitos à mão, dedicados a artistas como, por exemplo, o [polaco-brasileiro] Frans Krajcberg, que faleceu este mês. Fizemos- -lhe um livro-escultura, com dez esculturas. Então, essa ideia de fazer coleções de livros-objeto vem dessa época.” Os primeiros foram até mostrados no Museu Gulbenkian, em 1980, na mostra Uma experiência gráfica brasileira.

Fast forward para 2017: a viver em Lisboa, os editores Leonel Kaz e Lucia Bertazzo (designer de formação) revelam nove obras em livro, criadas nos últimos cinco anos, pela UQ! Editions. O quê? “Assim mesmo, a gente colocou esse nome que vale para tudo, em vários idiomas.” Perante a visão destes livros com múltiplos desenhos, pinturas ou fotografias dentro, feitos à mão por artesãos especializados, com papéis finos e tipografias sofisticadas e materiais insólitos, acredita-se que a beleza é um idioma universal.

Não é à toa que o escritor José Eduardo Agualusa elogiou, no jornal O Globo, a “ousadia” destes livros-arte – e que se convenceu a mostrar vinte poemas inéditos para acompanhar as imagens de Instagram retrabalhadas com filtros e cores por Alex Flemming em Gramática do Instante e do Infinito, obra única em metal com um livro artesanal. E que o artista plástico Pedro Cabrita Reis criou, com a UQ!, um ambicioso e inédito livro de artista: pinturas sobre papel de algodão e de fibra de bambu (uma bela descoberta, pois o papel não ganha dobras, conta Kaz), as suas interpretações sobre o poema Cântico Negro, de José Régio (uma, já adquirida pela Fundação Calouste Gulbenkian).

Alguns livros de arte demoraram três anos a serem feitos, implicaram centenas de protótipos, técnicas contemporâneas ou impressão à maneira de Gutemberg. “Cada caso é um caso”, “cada livro é como uma exposição individual”, afiançam os editores. “O nosso prazer é o fazer com a mão, a proximidade com o artista, dentro de um clima poético e estético”, sintetiza Kaz. Nove livros com arte – para ver, folhear e sentir.

Além de Alex Flemming e Cabrita Reis, os nove livros de arte da UQ! contam com obras de António Dias/Haroldo de Campos, Ferreira Gullar, Paulo Climachauska, Roberto Magalhães, Frans Krajcberg, Wanda Pimentel e Luiz Zerbini.

A Arte do Livro de Arte > Le Consulat > Pç. Luís de Camões, 22, Lisboa > T. 21 242 7470 > 24 nov-20 jan, ter-qui 11h-14h e 15h-19h, sex-dom 15h-19h e 20h-23h