Visão Sete

Siga-nos nas redes

Perfil

Reynaldo Gianecchini e Ricardo Tozzi estreiam ‘Os Guardas do Taj’ nos palcos portugueses

Ver

As lendas associadas à construção do sumptuoso Taj Mahal foram o mote para a peça escrita por Rajiv Joseph, onde se fala de política, livre arbítrio e, sobretudo, de uma bela amizade. Reynaldo Gianecchini e Ricardo Tozzi são os protagonistas desta produção luso-brasileira, cuja estreia absoluta será esta quinta-feira, 9, no Theatro Circo, em Braga, seguindo depois para a Póvoa de Varzim, Vila Nova de Famalicão e Lisboa

Os atores Reynaldo Gianecchini e Ricardo Tozzi interpretam os guardas imperiais encarregues de manter oculto o Taj Mahal durante a sua construção

Os atores Reynaldo Gianecchini e Ricardo Tozzi interpretam os guardas imperiais encarregues de manter oculto o Taj Mahal durante a sua construção

Lucília Monteiro

Escondido por muros altos, o Taj Mahal tem, contudo, uma omnipresença avassaladora. Por ordens expressas do imperador Shah Jahan, o sublime mausoléu de mármore branco é mantido sob absoluto segredo durante a construção. Os guardas imperiais Humayun e Babur – interpretados por Reynaldo Gianecchini e Ricardo Tozzi, atores bem conhecido das telenovelas brasileiras –, mantêm-se firmes (mas não tão hirtos) no seu posto, de costas voltadas para o monumento, sabendo que qualquer desvio do olhar será severamente punido. Humayun é o fiel cumpridor das regras superiores, arrancando o enérgico e sonhador Babur de constantes devaneios. Mas os amigos de infância não resistem à tentação de o contemplar. E logo descobrirão que o vislumbre da beleza tem um preço. Para eles e para os 20 mil trabalhadores envolvidos na obra.

O multipremiado dramaturgo norte-americano Rajiv Joseph, de ascendência indiana, conviveu durante muitos anos com as lendas e os mitos associados ao Taj Mahal, que o espicaçaram a escrever uma peça épica envolvendo o imperador, o arquiteto e algumas personagens secundárias, como estes guardas. O texto enredou-se de tal forma que nunca viria a ser terminado. Desse ímpeto inicial, sobreviveu apenas Humayun e Babur e a sua forte amizade, comentadores de bancada da História em Os Guardas de Taj, ao mesmo tempo que discorrem com humor sobre a sua condição.

O registo do espetáculo muda quando descobrem que têm de executar uma ordem aterradora do imperador (deixemos a revelação para os palcos). As diferenças entre os amigos acentuam-se, entre o cumprimento zeloso e aparentemente ausente de crítica de Humayun e o questionamento das hierarquias, a revolta e o arrependimento de Babur. “O espetáculo fala sobre a obediência às ordens que vêm de cima, fazendo coisas horríveis. Será que você é cúmplice ou está apenas cumprindo o seu papel?”, sublinha o encenador Rafael Primot. Pela ótica da beleza e da amizade, a peça questiona a forma como o poder consegue influenciar o arbítrio e afetar as relações pessoais.

A peça oscila entre o registo cómico e trágico

A peça oscila entre o registo cómico e trágico

Lucília Monteiro

Amigos de longa data, Gianecchini e Tozzi refletem essa intimidade em cena, interpretando com segurança as oscilações entre a leveza e a tensão exigidas pelos papéis. Ao contrário do que é habitual, quando se trata de produções envolvendo atores brasileiros (neste caso, uma produção conjunta da brasileira Morente Forte e da portuguesa Plano 6), a peça terá a sua estreia em Portugal, no Theatro Circo, esta quinta-feira, 9. “Foi muito difícil, porque tínhamos uma equipa muito diversa, de vários lugares”, conta Rafael Primot, após o primeiro ensaio corrido no lindíssimo teatro, uma espécie de Taj Mahal bracarense. “Os atores estavam no Rio de Janeiro, eu estava em são Paulo, por isso tivemos de ensaiar no Rio, mas a trilha sonora foi composta em São Paulo, o cenário foi feito em Braga, os adereços em Lisboa, enfim… acabamos de juntar todos estes elementos.”

Uma encenação que reflete, no fundo, a universalidade das questões levantadas pela peça, tão prementes no Brasil atual, a braços com a Operação Lava Jato. “Estamos num momento muito bonito em que muita gente está a ir para a rua e a dizer que não quer aqueles representantes [políticos]”, descreve Reynaldo Gianecchini. “A nossa geração era meio alienada e agora está todo mundo se posicionando”, reconhece o ator, prestes a fazer 45 anos. O texto poderoso de Rajiv Joseph mexeu com a equipa artística, reconhecem. Veremos como reagirá o público.

Theatro Circo > Av. da Liberdade, Braga > T. 253 203 800 > 9-12 nov, qui-sáb 21h30, dom 16h30 > €20 a €25

Cine-Teatro Garrett > R. José Malgueira, 15, Póvoa de Varzim > T. 252 090 210 > 16-19 novembro, qui-sáb 21h30, dom 17h > €20

Casa das Artes > Parque de Sinçães, Vila Nova de Famalicão > T. 252 371 304 > 23-26 nov, qui-sáb 21h30, dom 17h > €18

Teatro Tivoli BBVA > Av. da Liberdade, 182-188, Lisboa > T. 21 315 1050 > 29 nov-17 dez > qui-sáb 21h30, dom 17h > €12,50 a €25