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O Fórum do Futuro dura sete dias e vai perguntar: Que futuro para nosso planeta? Sete pontos sobre o que não pode perder

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No Porto, o festival do pensamento Fórum do Futuro discute, a partir deste domingo, 5, e até ao dia 11, o tema da Terra Elétrica, a era do antropoceno ou o impacto da presença humana na natureza, através de conferências, debates e performances em áreas que atravessam a ciência, tecnologia ou artes. Em sete pontos, resumimos-lhe o que não pode perder porque, nunca como hoje, foi tão importante discutir o planeta onde vivemos

"Terra Elétrica" é o tema da quarta edição do Fórum do Futuro

"Terra Elétrica" é o tema da quarta edição do Fórum do Futuro

1. O tema, os palcos, as sessões

À quarta edição, e depois de ter discutido a Felicidade (2015), a Ligação (2016), além da sessão inaugural em 2014, o festival do pensamento debate a Terra Elétrica, convocando pensadores a refletir sobre as questões que agitam o nosso planeta na era do antropoceno, a nova era do homem. Este ano, há mais quatro sessões do que no ano passado (26 no total), 11 convidados nacionais e 32 internacionais (dos Estados Unidos, França, Canadá, Argentina, Suíça e Burkina Faso). Além do Teatro Rivoli, onde decorrerá a maioria das conferências, outros palcos se juntam ao festival, como o Coliseu do Porto, a Universidade do Porto e o Teatro do Bolhão.

2. A abertura e o encerramento

O sociólogo Richard Sennett, autor dos Quito Papers, abre o Fórum do Futuro (5 nov, 16h, Rivoli), com a conferência A Caminho da Cidade Aberta, que critica a Carta de Atenas, de Le Corbusier (1933), e questiona se ainda fará sentido seguir os seus princípios em pleno século XXI. Numa conversa moderada por Gareth Evans, sociólogo e curador na Whitechapel Gallery, escutaremos Richard Sennett afirmar ser necessário pensar as cidades como sistemas abertos e complexos, através de três forças principais: mudança climática, informalidade e um grande conjunto de dados. No último dia, 11, (21h30, Rivoli), Steven Pinker, professor catedrático de psicologia na Universidade de Harvard, reflete sobre o Passado, Presente e Futuro da Violência, numa conversa moderada por José Pacheco Pereira.

O arquiteto japonês Sou Fujimoto defende que a arquitetura se deve comportar como uma paisagem

O arquiteto japonês Sou Fujimoto defende que a arquitetura se deve comportar como uma paisagem

David Vintiner

3. O planeta e a arquitetura

O arquiteto japonês Sou Fujimoto, premiado e reconhecido internacionalmente, defensor que a arquitetura se deve comportar “como uma paisagem”, conversará com Justin Jaeckle (6 nov, 16h, Rivoli) sobre o Futuro Primitivo, onde “a cidade pode ser uma floresta, um bloco habitacional pode ser uma árvore, uma biblioteca pode ser uma gruta”. “Quero criar um lugar para as pessoas entre o mundo natural e artificial”, costuma dizer Fujimoto. Também o arquiteto Francis Kéré, do Burkina Faso, explorará a “arquitetura como ato social” (9 nov, 21h30, Rivoli), defendendo a utilização de materiais locais.

4. A ciência e a extinção

O médico e investigador Manuel Sobrinho Simões conduz a conversa com Elizabeth Hadly (6 nov, 21h30, Rivoli), a norte-americana que nos avisa estarmos “condenados à extinção” caso não mudemos rapidamente de rumo. David Shoemaker, cientista e porta-voz do LIGO Scientific Collaboration – projeto galardoado, este ano, com o Nobel da Física – falará no Rivoli (9 nov, 21h30) sobre as recentes descobertas de ondas gravitacionais que nos poderão trazer novas mensagens do Cosmos. O filme do realizador Ben Rivers (o documentário Two Years at Sea, filmado em 2011, exibido dia 10, às 19h, no Rivoli) abre a discussão entre este realizador britânico e Timothy Morton, um dos escritores e filósofos mais influentes da atualidade, autor de Dark Ecology, o livro que acabaria por influenciar o filme de Rivers.

O filósofo Koert van Mensvooert explica-nos como a tecnologia se pode transformar em natureza

O filósofo Koert van Mensvooert explica-nos como a tecnologia se pode transformar em natureza

5. A terra e a tecnologia

Como é que a eletricidade veio mudar a nossa relação com a música e influencia o processo criativo? É o que estará em cima da mesa no debate entre António Jorge Pacheco, diretor artístico da Casa da Música (7 nov, 18h, Casa da Música), com Karsten Witt, Lowrens Langevoort e Simon Reinink, este último, responsável pelo Concertgebouw de Amesterdão. Ainda nesta matéria, a designer e música Nelly Bem Hayoun, que criou uma Orquestra do Espaço com a NASA, defenderá a importância de desafiar a realidade, projetando um universo hiper real que reúna sonho e ação social na humanização da tecnologia. (7 nov, 19h, Coliseu do Porto). Também Koert van Mensvooert, diretor e filósofo da Next Nature Network, movimento ambientalista do século XXI (11 nov, 19, Rivoli) explicará como a tecnologia se transforma em natureza em sete etapas (pinturas interativas, guloseimas medicinais ou carnes feitas em laboratório são alguns exemplos).

6. Artes e biodiversidade

A Mala Voadora volta a associar-se ao Fórum do Futuro em dois momentos: por um lado, com a exposição Happy Together (a ver na Rua do Almada, 277) onde se apresentam obras de Tiago Cadete, Guilherme Sousa, Pedro Azevedo, Sónia Baptista, Carolina Campos, Júlia Rocha e Raquel Melgue sobre o tema Terra Elétrica (entre 5 e 9 nov, das 17h às 20h). E, por outro lado, juntando oradores ligados ao processo criativo do novo espetáculo da companhia, Amazónia, que se estreia na próxima quinta, 9, no São Luiz Teatro Municipal, em Lisboa. É o caso de Les U. Knight, fundador do movimento Voluntary Human Extinction Movement, que defende a extinção humana voluntária através do fim da procriação (10 nov, 19h, na Galeria da Biodiversidade).

7. Performances e concertos

Em The Plant Orchestra (5 nov, 19h, Rivoli), a artista holandesa Alexandra Duvekot mostra-nos uma performance musical que interage com 20 plantas doentes, que constitui parte do seu trabalho de investigação, iniciado em 2012, sobre a possibilidade de comunicação entre homem e plantas. Ao longo do festival, no quinto piso do Rivoli, o duo australiano Pony Express propõe uma experiência erótico/ecológica com plantas, terra e criaturas vivas, a performance Club Ecosex, para maiores de 18 anos (8-10 nov, 23h-01h), além da conferência Da Terra como Mãe à Terra como Amante (11 nov, 17h, mala voadora). No último dia, 11, a encerrar o festival do pensamento, os Flamingods prometem um concerto (23h30, Rivoli), com sons multiculturais.

Os Pony Express promovem uma performance erótico-ecológica com plantas

Os Pony Express promovem uma performance erótico-ecológica com plantas

Fórum do Futuro > 5-11 nov > Teatro Municipal do Porto Rivoli, Serralves, Casa da Música, Palácio do Bolhão > grátis