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Festival Internacional de Marionetas do Porto: A festa da matéria animada

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De uma “patética peça-laboratório” aos Bonecos de Santo Aleixo, vários são os caminhos seguidos pela marioneta contemporânea no Festival Internacional de Marionetas do Porto, que começa esta sexta-feira, 13, e se prolonga até final do mês

A Compagnie Gare Centrale traz ao Porto Ressacs, uma comédia pelos meandros do consumo e do capitalismo

A Compagnie Gare Centrale traz ao Porto Ressacs, uma comédia pelos meandros do consumo e do capitalismo

Alice-Piemme

Se há uma linha condutora nesta programação do Festival Internacional de Marionetas do Porto (FIMP), trata-se da aposta em espetáculos de teor mais visual, em que as palavras não são determinantes para o encantamento gerado pelas formas animadas. É o caso de Gobo. Glossário Digital, a “patética peça-laboratório”, como descreve o coletivo AKhe Theatre, em que cada espectador poderá criar a sua própria representação do herói Gobo (a remeter para Godot), através de uma série de “entediantes” objetos. “É uma peça absolutamente fundamental do início do século XXI, combina o rigor próprio das produções russas com a atitude libertária e enérgica da criação”, diz Igor Gandra, o diretor artístico do FIMP, defensor acérrimo deste trabalho.

Entre os artistas com um percurso marcante, convocados pelo festival, destaque para Agnés Limbos, “conhecida como a papisa do teatro de objetos”, comenta Igor Gandra sobre a belga Compagnie Gare Centrale. Ao Porto, traz Ressacs (Rebentações, em português), uma comédia pelos meandros do consumo e do capitalismo. As antigas tradições marionetistas são igualmente recordadas, seja pelas mãos do napolitano Gaspare Nasuto, considerado um virtuoso da manipulação, ou pela equipa do Centro Dramático de Évora, que regressa ao FIMP com os Bonecos de Santo Aleixo.

As companhias da cidade também voltam a marcar presença, algumas com estreias absolutas, como é o caso do Teatro do Ferro, com o espetáculo Marionetas Tradicionais de Um País Que Não Existe, uma “viagem imaginária a alguns destinos improváveis da globalização”, e do Teatro de Marionetas do Porto, com Arcano, inspirado no universo de Kafka. Oportunidade ainda de ver duas estreias nacionais: Quiet Motors, um concerto-performance de Pierre Bastien; e Gaspard, do jovem coletivo belga Une Tribu Collectif, como descreve Igor Gandra, “uma peça curta, mas intensa, exemplo de como as marionetas nos colocam grandes questões existenciais”.

Festival Internacional de Marionetas do Porto > Teatro Municipal do Porto (Rivoli e Campo Alegre), TeCA, Teatro Nacional São João, Mosteiro de São Bento da Vitória > T. 22 332 0419 > 13-29 out > €30 (passe)