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'Sea Sorrow', de Vanessa Redgrave: Cinema salva-vidas

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A crise dos refugiados levou a atriz Vanessa Redgrave a estrear-se na realização, aos 79 anos, com um filme militante e persuasivo. Sea Sorrow já chegou às salas de cinema

Uma das armas retóricas de 'Sea Sorrow' é a comparação com a II Guerra Mundial e a enorme crise de refugiados que esta provocou. Recordando que um dia fomos nós, europeus, que precisámos de asilo

Uma das armas retóricas de 'Sea Sorrow' é a comparação com a II Guerra Mundial e a enorme crise de refugiados que esta provocou. Recordando que um dia fomos nós, europeus, que precisámos de asilo

Se Michael Moore vivesse na Europa já teria feito este filme há muito tempo. Enfim, o filme não seria exatamente o mesmo, o realizador americano, com todo o seu humor, militância e talento cinematográfico teria construído uma obra necessariamente diferente e, porventura, ainda mais eficaz. Como Moore não vive na Europa, faltava alguém que o fizesse. Terá sido essa urgência de chamar a atenção para o gravíssimo problema dos refugiados que levou, inesperadamente, a atriz britânica Vanessa Redgrave a estrear-se na realização, aos 79 anos. Não é uma realizadora, nem tem pretensões enquanto tal. Mas este também não foi um um impulso artístico, mas antes humanitário. Fez de Sea Sorrow um filme contundente, acérrimo, persuasivo. Um documentário que termina com Shakespeare, para inglês ver e mudar a sua posição quanto ao acolhimento de refugiados.

O filme começa por contar a incrível história de alguns refugiados, em Itália, concretizando alguns casos em busca de empatia. Passa pelos movimentos de apoio aos migrantes nas ruas de Londres. Visita a famosa selva de Calais, com sangue suor e lágrimas. E enaltece a coragem e humanidade do povo grego e seus dirigentes. Uma das armas retóricas é a comparação com a II Guerra Mundial e a enorme crise de refugiados que esta provocou. Recordando que um dia fomos nós, europeus, que precisámos de asilo. Fala também da Carta dos Direitos Humanos da ONU, dos direitos das crianças, da convenção de Dublin. Enfim, documentos de que a Humanidade se pode orgulhar, mas não pode deixar de pôr em prática.

Tudo pela causa. Só é pena é que, cinematograficamente, Sea Sorrow esteja cheio de soluções amadoras (no pior sentido do termo), como o recurso a separadores ou a inclusão de uma longa peça do Chanel 4, com a própria Vanessa Redgrave. Embora o filme não tenha propósitos artísticos, um maior cuidado na realização e produção facilitaria a transmissão da mensagem.

Sea Sorrow > de Vanessa Redgrave > 74 min.