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7 filmes a não perder até ao fim do ano

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A rentrée traz muito cinema. Fizemos uma seleção de sete filmes a não perder até ao final do ano

Colo, de Teresa Villaverde

Colo, de Teresa Villaverde

1. Blade Runner 2049

5 outubro

Trinta e cinco anos depois, Blade Runner está de volta. Ridley Scott cedeu o lugar ao canadiano Denis Villeneuve na realização, mas Harrison Ford mantém-se de pedra e cal. O original, de 1982, é um dos maiores marcos do cinema de ficção científica, não só alvo de culto de fãs, como fonte de várias teses e teorias académicas. Este não tem o mesmo impulso mas, ainda assim, deve satisfazer os desejos das gerações de adeptos do filme. A ação passa-se três décadas depois. De Denis Villeneuve, com Harrison Ford, Ryan Gosling e Ana de Armas > 163 min.

2. Colo

12 outubro

A crise económica e social que afetou o País a partir de 2010 tem sido objeto de várias propostas cinematográficas, mas ninguém a abordou de forma tão sensível e profunda quanto Teresa Villaverde, em Colo, filme que se estreou em Berlim e que nesta rentrée finalmente chega às salas. À realizadora, não lhe interessam explicações muito ou pouco detalhadas sobre as causas da crise. Tão-pouco procura culpados ou incita a uma revolta social. Expõe-nos simplesmente as suas consequências. Mas, além das consequências óbvias e drásticas, dos muitos empregos e casas que se perderam, vai mais fundo, e explora as sequelas agudas interiores, da forma como a crise provocou graves danos afetivos, morais, psicológicos e até psíquicos. Mazelas que demoram ainda mais tempo a reparar.
Assim, Colo fala da crise à microescala de uma família que está a cair aos pedaços. O homem, desempregado, desesperado, vive um processo de progressiva demência. A mulher, que acumula dois empregos, sente-se impotente na tentativa de salvar a família ou, pelo menos, amparar a queda. A filha, adolescente, perde a estrutura, o equilíbrio e não sabe onde se agarrar.
O filme tem essa capacidade difícil de abordar a densidade psicológica das personagens, apanhando-as em movimento, em processo de transição, fazendo com que nenhuma delas termine no sítio de onde partiu (física e psicologicamente). É feito de entes inconstantes e corpos solúveis à procura de colo ou abrigo. Apesar de nos colocar na perspetiva da queda, não cobre um futuro de negro. Nem pinta tudo de uma atmosfera violenta e asmática como obras anteriores da realizadora (Mutantes ou Transe). Há uma sombra de esperança, definida num ato de altruísmo, que nos permite acreditar numa regeneração moral e estrutural, quando o pai, em cima do aparente desmanche final da família, recupera-se enquanto homem na atitude altruísta de “adotar” Júlia, uma amiga da filha adolescente que está grávida. Com grandes interpretações de João Pedro Vaz, Beatriz Batarda, Alice Albergaria Borges e Clara Jost, Colo foi distinguido em vários festivais internacionais e é, sem dúvida, um dos melhores filmes portugueses de 2017. De Teresa Villaverde, João Pedro Vaz, Beatriz Batarda, Alice Albergaria Borges, Clara Jost > 136 min.

A Paixão de Van Gogh

A Paixão de Van Gogh

3. A Paixão de Van Gogh

12 outubro

É apresentado como o primeiro filme da história totalmente pintado a óleo, com um total de 65 mil fotogramas, pintados à mão. A curiosidade prende-se sobretudo com essa deslumbrante componente estética, um pouco como aconteceu na exposição interativa dedicada ao pintor que passou por Lisboa. É como se os seus quadros ganhassem vida, sem nunca perder a textura nem o traço. Um filme de animação para adultos que conta a trágica e louca história de Vincent van Gogh, um homem à frente do seu tempo, que criou a ilusão de movimento nos seus quadros, como se adivinhasse o cinema. De Dorota Kobiela, Hugh Welchman, com Robert Gulaczyk, Saoirse Ronan, Jerome Flynn, Aidan Turner > 95 min.

Peregrinação, de João Botelho

Peregrinação, de João Botelho

4. Peregrinação

2 novembro

João Botelho volta a adaptar um grande clássico da Literatura Portuguesa. Peregrinação, de Fernão Mendes Pinto, narra os feitos do anti-herói português que viu coisas nunca dantes vistas, nos locais mais exóticos, da Índia ao Próximo Oriente, perante a incredibilidade dos seus contemporâneos que o tratavam por “Mentes? Minto”. Botelho chamou novamente Cláudio Silva (Filme do Desassossego) para o principal papel, numa obra que inclui uma forte componente musical, com novas versões de Por Este Rio Acima, de Fausto Bordalo Dias. De João Botelho, com Cláudio Silva, Catarina Wallenstein, Jani Zhao > 110 min.

5. Star Wars: Os Últimos Jedi

14 dezembro

Um novo episódio da aparentemente interminável saga Star Wars talvez seja a menos surpreendente surpresa do próximo Natal. Contudo, não deixa de ser um momento alto para os incontáveis fãs de diferentes gerações. A trama do volume oito (o segundo após a dupla trilogia), com o título Os Últimos Jedi, mantém-se no segredo dos deuses da Disney. Muito se tem especulado. Sabe-se, por exemplo, que o filme deve começar no momento em que termina o anterior, O Despertar da Força. Ou seja, no encontro entre Luke e Rey. Presume-se também que Rey será a figura central deste novo episódio e, possivelmente, Luke prepará-la-á para Jedi. O argumento e realização são de Rian Johnson. O seguinte, já se sabe, com estreia prevista para dezembro de 2019, marcará o regresso de J. J. Abrahms. De Rian Johnson, como Daisy Ridley, John Boyega e Mark Hamill

6. Um Pequeno Grande Mundo

21 dezembro

Com o objetivo de ajudar a salvar o planeta e, ao mesmo tempo, conseguir melhor qualidade de vida, um casal aceita entrar num irreversível processo de encolhimento. Estas são apenas as premissas desta comédia, que propõe um novo olhar sobre o mundo. O filme é escrito e realizado por Alexander Payne, que já venceu dois Oscars e é um dos títulos mais falados para as nomeações da Academia em 2018. De Alexander Payne, com Matt Damon, Christoph Waltz e Hong Chau > 135 min.

7. D'Après une Histoire Vraie

21 dezembro

Quatro anos depois de Vénus de Vison, Roman Polanski está de volta. Desta feita com um filme francês, que contou com a colaboração de Olivier Assayas na escrita de um argumento adaptado de um romance de Delphine de Vigan. Tal como O Escritor Fantasma (2010), o filme tem a literatura como pano de fundo. Conta a história de uma escritora que se vê obrigada a lidar com uma admiradora obsessiva que se apaixona loucamente por si através da sua escrita. Os poderes ocultos da literatura ou as modernas questões dos stalkers, num filme tortuoso e sensual ao melhor estilo de Polanski. De Roman Polanski, com Eva Green, Emmanuelle Seigner, Damien Bonnard > 110 min.