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MARCC: Um museu para a arte urbana e para a coleção de Vhils em Cascais

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Já tem nome oficial o museu que vai guardar a coleção de Alexandre Farto (Vhils) e contar a história da arte pública no pós-25 de Abril. O Museu de Arte Urbana e Contemporânea de Cascais (MARCC) abre na primavera de 2018

Maquete do projeto de arquitetura e design do futuro MARCC, do Estúdio Pedrita e do Atelier MOOV

Maquete do projeto de arquitetura e design do futuro MARCC, do Estúdio Pedrita e do Atelier MOOV

Jorge Martin I CM Cascais

A palavra Invisível esculpida na parede branca marca a presença de Vhils. A obra, efémera, foi feita para a apresentação do novo Museu de Arte Urbana e Contemporânea de Cascais (MARCC) e desaparecerá quando entrarem as obras da coleção pessoal do artista no museu. Foi há um ano que a Câmara Municipal de Cascais desafiou Alexandre Farto (Vhils) a pensar um museu para a arte urbana. Daqui resultou a parceria entre o município e aquele que é atualmente o artista português com maior projeção internacional, firmada num protocolo a quatro anos, que será financiada a partir de fontes públicas e privadas, e terá um orçamento anual de 200 mil euros.

A ocupar uma área com cerca de 1700 metros quadrados, localizada por baixo da praça Dom Diogo de Menezes, e que liga a Cidadela de Cascais à marina, o MARCC irá acolher uma exposição permanente, para a qual Vhils doou 300 obras da sua coleção pessoal – algumas de sua autoria, muitas outras de artistas estrangeiros, como o britânico Banksy, o francês JR ou o norte-americano Shepard Fairey, ou dos portugueses Abel Manta e Nomen, um dos pioneiros do graffiti em Portugal. “Sempre colecionei muita coisa, das décadas de 1970, 80 e 90, ligada à prática na rua e ao espaço público”, conta Alexandre Farto. “São peças que vão desde posters de propaganda do pós-25 de Abril, às primeiras obras de graffiti e aos stencils que foram influentes no movimento, até aos artistas de Arte Urbana dos últimos anos”, descreve. A coleção será complementada por cerca de 45 obras de artistas emergentes e consagrados, portugueses e estrangeiros, adquiridas pela Câmara de Cascais, para as quais o município disponibilizou um total de 350 mil euros (250 mil investidos já este ano, cem mil para o ano).

Da programação anual constarão também quatro exposições temporárias e o calendário para 2018 já está delineado: uma individual de Vhils para a inauguração, uma mostra que fará um levantamento histórico do movimento artístico, outra do hispano-argentino Felipe Pantone e uma quarta de um artista ainda a confirmar. “Queremos que o museu seja vivo e dinâmico. Um lugar de investigação e reflexão de um movimento que vai desde 1974 aos nossos dias, de discussão dos desafios que a Arte Urbana enfrenta, e, ao mesmo tempo, um espaço para os novos artistas que vão surgindo na urbe”, sublinha Vhils. No exterior vai nascer o Jardim das Esculturas, um parque de arte escultural e instalações postas em diálogo com as exposições a decorrer no interior do museu, concebido como um trabalho em progresso e imaginado para se ir desenvolvendo ao longo do tempo.

Entre as duas áreas de exposição – permanente e temporária – funcionará a loja, a bilheteira, e a cafetaria. Um corredor central que dividirá as duas zonas, tanto mais que o MARCC foi pensado como um espaço aberto, privilegiando-se a relação com o exterior, representada ali pela grande parede em vidro que dá acesso ao museu. Quem o diz é o designer Pedro Ferreira (Estúdio Pedrita), responsável, em conjunto com António Louro (atelier MOOV), pelo design e a arquitetura do MARCC. Todo o sistema expositivo será, de resto, composto por paredes móveis que se adaptam às necessidades, permitindo ao mesmo tempo poupar no orçamento de cada vez que muda uma exposição. Para estabelecer uma relação de proximidade com o público, está previsto, ao longo do ano, um programa que incluirá conferências, palestras, workshops, cursos, projeções de filmes e vídeos e noites abertas com música, mostras e performances. Já os Amigos do MARCC quer ser mais do que um programa de associados, oferecendo livre acesso ao museu, atividades especiais ou visitas organizadas a ateliers de artistas, por exemplo.

O novo Museu de Arte Urbana e Contemporânea de Cascais fará parte do Bairro dos Museus, gerido pela Fundação Dom Luís I, e é vizinho da Casa das Histórias Paula Rego, do Museu do Mar e da recentemente recuperada Casa Sommer, sede da biblioteca municipal. Ainda não há data oficial de inauguração, mas a abertura ao público está prevista para a primavera de 2018.

O novo MARCC vai ocupar uma área de 700 metros quadrados na Praça Dom Diogo Menezes, da autoria do arquiteto Miguel Arruda e prémio Mies Van der Rohe

O novo MARCC vai ocupar uma área de 700 metros quadrados na Praça Dom Diogo Menezes, da autoria do arquiteto Miguel Arruda e prémio Mies Van der Rohe

Jorge Martin I CM Cascais

Museu de Arte Urbana e Contemporânea de Cascais > Praça Dom Diogo de Menezes, Cascais > primavera de 2018