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7 peças de teatro a não perder até ao fim do ano

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A rentrée traz espetáculos para todos os gostos. Fizemos uma seleção de sete peças de teatro a não perder até ao final do ano

Os Negros

Os Negros

Sofia Berberan

1. Os Negros

5 outubro, Teatro Municipal São Luiz, Lisboa

“Treze atores negros. Uma peça escrita por um branco. Para um público de brancos. Mas afinal o que é ser negro? O que é ser negro quando não se vive num país negro? E antes de tudo, qual é a cor de um negro?” A descrição e as interrogações servem de sinopse a Os Negros, com texto de Jean Genet e encenação de Rogério de Carvalho. Mais uma peça a contribuir para a reflexão permanente que o Teatro Griot tem feito em torno da identidade europeia contemporânea, “intercultural e desterritorializada”. Teatro Municipal São Luiz > R. António Maria Cardoso, 38, Lisboa > T. 21 325 7640 > 5-15 out, qua-sáb 21h, dom 17h30 > €5 a €15

Libertação

Libertação

Bruno Simao

2. Libertação

12 outubro, Teatro Muncipal Maria Matos, Lisboa

André Amálio continua a olhar para o passado recente de Portugal. Em Libertação, fala da Guerra Colonial – ou da Guerra pela Independência, como ficou conhecida em Angola, Guiné-Bissau e Moçambique. Um espetáculo construído a partir de material de arquivos e de entrevistas a quem lutou contra o colonialismo português. Antes da estreia no Teatro Maria Matos, haverá uma apresentação no Teatro Joaquim Benite, em Almada, onde o ator e encenador também levará as suas duas outras peças mais recentes, Passa-Porte e Portugal Não É um País Pequeno. Teatro Municipal Maria Matos > R. Frei Miguel Contreiras, 52, Lisboa > T. 21 843 8800 > 12-15 out, qui-sáb 21h30, dom 18h30 > €3 a €12

Sopro

Sopro

Christophe Raynaud de Lage

3. Sopro

2 novembro, Teatro Nacional D. Maria II, Lisboa

A primeira peça de teatro que Cristina Vidal viu na vida, aos cinco anos, foi às escondidas, na caixa do ponto (a pessoa que dá apoio aos atores, dizendo-lhes o texto quando se esquecem). “Um presságio, como numa tragédia grega”, comenta agora Tiago Rodrigues, encenador de Sopro, a peça que escreveu para esta mulher que é, há quase 40 anos, ponto no Teatro Nacional D. Maria II. Em novembro, chegará a Lisboa, depois de ter estreado no Festival de Avignon este verão. Em cena, Cristina Vidal é ponto: de papéis na mão, sopra o texto aos atores que, depois, o repetem. Os sussurros e os movimentos são os que faz habitualmente nos ensaios e nos bastidores. A confusão entre realidade e ficção será constante: misturam-se ponto e atriz, personagens e atores, textos de peças e episódios passados no Teatro Nacional D. Maria II. Histórias, memórias de histórias, deturpações de histórias, tudo ali cabe. “É uma peça sobre o estranho e condicional amor de algumas pessoas pelo teatro”, descreve Tiago. “É um olhar de dentro do teatro para o mundo, sem a preocupação de distinguir realidade e ficção, ou de seguir um rigor histórico.” Uma peça que, sublinha, se revela também sobre “as pessoas que estão na sombra e que não são protagonistas nem alvo direto de aplausos e elogios”. Tirando adaptações cenográficas que serão feitas (em Avignon foi apresentada num claustro ao ar livre), Tiago Rodrigues acredita que surgirão acertos, pela “circunstância emocional” de se apresentar a peça no lugar onde nasceu e onde Cristina Vidal trabalha. “Vai ser bonito vê-la na sua casa pela primeira vez, à vista de todos, neste palco onde se tem escondido com tanto brilhantismo.” Teatro Nacional D. Maria II > Pç. Dom Pedro IV, Lisboa > T. 21 325 0800 > 2-19 nov, qua 19h, qui-sáb 21h, dom 16h > €5 a €17

4. Amazónia

9 novembro, Teatro Municipal São Luiz, Lisboa

Enquanto a peça Moçambique circula por aí (Torres Novas, Coimbra e Ponta Delgada, até final de outubro), a companhia Mala Voadora prepara o novo espetáculo: Amazónia. Por enquanto, apenas se sabe que será uma “telenovela ecológica” e, conhecendo o trabalho do coletivo criado por Jorge Andrade e José Capela, só podemos adivinhar o melhor. Se vão “projetar as falas dos atores para poupar papel, repetir textos de outras novelas para poupar argumentos” ou “prescindir dos figurinos e andar nu”, mais tarde se verá. Mas não duvidamos quando afirmam: “O nosso amor é verde.” Teatro Municipal São Luiz > R. António Maria Cardoso, 38, Lisboa > T. 21 325 7640 > 9-19 nov, qua-sáb 21h, dom 17h30 > €5 a €15

Todo o Mundo é um Palco

Todo o Mundo é um Palco

João Tuna

5. Todo o Mundo é um Palco

17 novembro, Teatro da Trindade, Lisboa

Beatriz Batarda e Marco Martins juntam-se ao coreógrafo Victor Hugo Pontes para criar o espetáculo comemorativo dos 150 anos do Teatro da Trindade. Para o palco, hão de levar “a nova cidade de Lisboa”, os seus habitantes e as suas histórias, tendo como inspiração a comédia As You Like It, de William Shakespeare. A dar vida a tudo isso estarão os atores Romeu Runa, Miguel Borges e Carolina Amaral, e um grupo de intérpretes não-profissional. Teatro da Trindade > R. Nova da Trindade, 9, Lisboa > T. 21 342 3200 > 17 nov-10 dez, qui-sáb 21h30, dom 16h30 > €10 a €14

6. A Promessa

16 novembro, Teatro Nacional São João, Porto

Sessenta anos depois, estará de regresso ao Teatro Nacional São João A Promessa, peça escrita em 1957 por Bernardo Santareno – e, na altura, retirada pela censura rapidamente de palco, com acusações ao Teatro Experimental do Porto de ali promover um “ambiente de religiosidade erótica”. Agora, será João Cardoso a encenar este texto que parte de uma promessa de castidade para falar do equilíbrio de forças entre o catolicismo fervoroso e os impulsos sexuais do ser humano. Teatro Nacional São João > Pç. da Batalha, Porto > T. 22 340 1900 > 16 nov-3 dez, qua e sáb 19h, qui-sex 21h, dom 16h > €7,50 a €16

7. Nathan, o Sábio

9 dezembro, Teatro Municipal Joaquim Benite, Almada

A próxima encenação de Rodrigo Francisco, com a Companhia de Teatro de Almada, chega quase no fim do ano. Nathan, o Sábio, publicado em 1779 pelo filósofo, teólogo e dramaturgo alemão Gotthold Ephrain Lessing, nunca foi levado à cena em Portugal e é um dos textos fundamentais do Iluminismo. Descrito como uma “ode à tolerância”, fala-nos de amor e de religião e transporta-nos para a Jerusalém do século XI – mas adivinhamos-lhe toda a atualidade. Teatro Municipal Joaquim Benite > Av. Professor Egas Moniz, Almada > T. 21 273 9360 > 9-17 dez, qua-sáb 21h, dom 16h > €6,50, €13