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Há três novas curtas portuguesas para ver no cinema

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A estreia em sala das curtas-metragens portuguesas Cidade Pequena, Coelho Mau e Farpões Baldios, que se distinguiram internacionalmente, é uma celebração do cinema português. Eis três pequenos grandes filmes

Farpões Baldios, de Marta Mateus

Farpões Baldios, de Marta Mateus

Divulgação

O cinema não se mede aos palmos, já se sabe. Mas, no caso do cinema português, tem sido tão flagrante o reconhecimento internacional das curtas-metragens que se pode afirmar que, nesta matéria, muitas vezes, são os pequenos que se agigantam. No passado recente, Portugal recebeu uma Palma de Ouro em Cannes e três ursos de ouro em Berlim, palmarés invejável, atendendo até a nossa relativamente pequena produção.

O mais recente Urso de Berlim foi precisamente para Cidade Pequena, de Diogo Costa Amarante, que se estreia agora em sala, na companhia de duas outras curtas: Farpões Baldios, de Marta Mateus, e Coelho Mau, de Carlos Conceição. Os filmes, que passaram todos pelo Curtas de Vila do Conde, têm em comum a recuperação de uma ambiência rural, contrastante com a linha de cinema urbano predominante nos nossos dias.

Com uma estética muito apurada, cuidado fotográfico perfeccionista, Diogo Costa Amarante filma, em Cidade Pequena, a irmã e o sobrinho, para tratar a angústia da morte na infância. O rapaz ouve dizer na escola que as pessoas morrem quando o coração para de bater e fica preocupado e inquieto. Costa Amarante propõe-se a essa difícil missão de filmar o interior pelo lado de dentro. É um filme forte e bonito, que fala do crescimento.

Farpões Baldios, de Marta Mateus, foi a grande surpresa do último Curtas de Vila do Conde. O filme ganhou mesmo o prémio internacional do festival, o que é raro acontecer a uma obra portuguesa. Novamente com uma fotografia de qualidade suprema e uma certa austeridade nos enquadramentos e nas montagens, a realizadora viaja ao Alentejo, numa narrativa simples e contemplativa. Ao contrário de outros cineastas da sua geração, Marta Mateus parece reivindicar as referências de Manoel de Oliveira e António Reis.

Finalmente, Coelho Mau, de Carlos Conceição, realizador habituado a marcar presença em importantes festivais. Na senda do anterior Boa Noite, Cinderela, Conceição distorce o universo das histórias de encantar e cria uma atmosfera bucólica, mágica mas, ao mesmo tempo, altamente perversa. Uma espécie de conto de fadas para adultos, com uma sensualização deliberada do corpo masculino, e um tratamento plástico altamente minucioso.

Cidade Pequena, de Diogo Costa Amarante, com Frederico Costa Amarante Barreto e Mara Costa Amarante, 19 min > Coelho Mau, de Carlos Conceição, com Carla Maciel, João Arrais, Júlia Palha, Matthieu Charneau, 30 min > Farpões Baldios, de Marta Mateus, António Prudêncio, João Capitão, Maria Clara Madeira, Tobias José Liliu, 25 min