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'Joan Miró: Materialidade e Metamorfose': Os Mirós de todos nós estão em Lisboa

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É a primeira vez que poderemos ver todas as 85 obras que a compõem a coleção que esteve quase, quase a escapar-se-nos por entre os dedos. A exposição Joan Miró: Materialidade e Metamorfose estará no Palácio Nacional da Ajuda, em Lisboa, até janeiro de 2018

Esta não é a mesma exposição que viram os mais de 240 mil visitantes que rumaram, de outubro de 2016 a junho deste ano, à Casa de Serralves, no Porto, para observarem minuciosamente as 78 obras de Joan Miró que aí estiveram patentes, no rescaldo do processo ficam-não-ficam-vendem-não-vendem. Desta vez, a exposição Joan Miró: Materialidade e Metamorfose, comissariada por Robert Lubar Messeri, especialista na obra do pintor catalão, apresentará a coleção integral que Portugal herdou: 85 trabalhos, que incluem o conjunto de sete peças em papel, de menor dimensão, datadas dos anos 1960 e 1970, que anteriormente não foram reveladas por falta de espaço.

Mas as diferenças entre estes dois momentos estender-se-ão necessariamente ao contexto da exposição: depois do white cube do museu portuense, e do projeto expositivo concebido por Siza Vieira, novas leituras podem também emergir, decorrentes do espaço histórica e esteticamente investido da Galeria D. Luís I, no Palácio da Ajuda, em Lisboa, e da conceção espacial da responsabilidade do arquiteto João Herdade. Contidas nestas 85 obras, destacam-se seis pinturas da famosa série sobre masonite de 1936, seis tapeçarias datadas de 1972 e 1973, uma das telas queimadas, colagens, uma escultura, desenhos, assim abarcando seis décadas (entre 1924 e 1981) da carreira de Joan Miró (1893-1983).

Na primeira parte desta exposição, Materialidade, é dada ênfase à maneira como Miró usava os materiais, por vezes pouco ortodoxos; em Metamorfose, espraia-se na transformação das linguagens pictóricas e da semântica das figuras criadas pelo artista de Barcelona. Reconhecido pela representação de figuras a roçar abstrações de fortíssimo pendor cromático, num gesto experimentalista e onírico, Miró chegou a dizer algo assim: “O que procuro é um movimento imóvel, algo que seria equivalente ao que se chama eloquência do silêncio.”

Joan Miró: Materialidade e Metamorfose > Palácio Nacional da Ajuda > Lg. da Ajuda, Lisboa > T. 21 363 7095/21 362 0264 > 8 set-8 jan 2018, seg-dom 10h-18h > €10 (exposição), €13 (exposição + visita ao Palácio)