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'Implosões, Construções e Demolições': Estruturas fluidas em Lisboa

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Um olhar fotográfico sobre a memória, o desenho e a expansão da capital, através do faz-desfaz das suas ruas, monumentos e edifícios reconhecíveis. A exposição Implosões, Construções e Demolições pode ser vista até novembro no Arquivo Municipal de Lisboa/ Fotográfico

Helena Corrêa de Barros, Ponte sobre o Tejo, 1965

Helena Corrêa de Barros, Ponte sobre o Tejo, 1965

Em Ocean's Eleven, Façam as Vossas Apostas, filme de Steven Soderbergh estreado em 2001, há uma cena em que a multidão de óculos escuros volta costas, num movimento simultâneo, para observar a implosão de um casino de Las Vegas, à exceção de Danny Ocean/George Clooney que olha de frente para a câmara. Ilustra bem o fascínio que as pessoas têm pela espectacularidade proporcionada pela destruição. A curadora Sofia Castro adicionou implosões a esta exposição que mostra bem a riqueza do acervo do Arquivo Municipal de Lisboa-Fotográfico. Implosões, Construções e Demolições apresenta imagens que revelam várias narrativas sobre Lisboa. Isto é, retrata os momentos irreversíveis, irrepetíveis, em que o espaço público da cidade foi transformado − de forma gradual ou radical. E a Lisboa (re)construída abre-se a novos estilos de vida, recorda a curadora, que aponta uma ressonância contemporânea se se pensar que 2017 tem sido ano de obras constantes na capital.

São visíveis, hoje, as mudanças trazidas por estas intervenções, aqui reveladas em fotografias: a demolição parcial do Aqueduto das Águas Livres para abrir uma autoestrada, a Expo'98, a construção da ponte sobre o Tejo, a destruição do Cine-Teatro Monumental. “Houve a ideia de que tinha sido feita uma implosão mas não foi assim. Li as memórias descritivas do pedido de demolição e de transformação em nova sala de espectáculos que veio de uma associação ligada ao Vasco Morgado: consideravam que o teatro estava decrépito”, recorda Sofia Castro.

A exposição tem este dossier Monumental ao lado de imagens (muitas nunca vistas) de 28 autores − desde os documentalistas ligados ao registo quotidiano ou ao serviço da câmara, como Judah Benoliel (filho de Joshua Benoliel) e Eduardo Portugal até autores contemporâneos como Pedro Letria, Paulo Catrica e Mónica de Miranda. E para “abrir a fotografia para outros patamares” há, ainda, uma peça sonora inédita de Fernando Fadigas.

Implosões, Construções e Demolições > Arquivo Municipal de Lisboa/ Fotográfico > R. da Palma, 246, Lisboa > T. 21 884 4060 > 28 jul-18 nov, seg-sáb 10h-19h