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A Galeria da Biodiversidade do Porto é um hino à vida e a Sophia

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Já abriu uma das joias da coroa da Universidade do Porto: a Galeria da Biodiversidade, o primeiro polo do Museu de História Natural e Ciência da Universidade do Porto e o 21º Centro de Ciência Viva. Ocupa a antiga casa de Sophia de Mello Breyner Andresen, no Jardim Botânico, cruzando a ciência, arte e literatura. E, é, sobretudo, uma lição de vida

Dezenas de ovos e ovoides de diferentes cores, tamanhos e formas, remetem-nos para a origem da vida
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Dezenas de ovos e ovoides de diferentes cores, tamanhos e formas, remetem-nos para a origem da vida

Lucília Monteiro

O esqueleto de uma baleia irrompe no átrio da Casa Andresen, numa alusão ao conto Saga, no livro Histórias da Terra e do Mar, onde Sophia de Mello Breyner Andresen imaginava que "se poderia armar o esqueleto de uma baleia que há anos repousava, empacotado em numerosos volumes, nas caves da Faculdade de Ciências por não haver lugar onde coubesse armado"
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O esqueleto de uma baleia irrompe no átrio da Casa Andresen, numa alusão ao conto Saga, no livro Histórias da Terra e do Mar, onde Sophia de Mello Breyner Andresen imaginava que "se poderia armar o esqueleto de uma baleia que há anos repousava, empacotado em numerosos volumes, nas caves da Faculdade de Ciências por não haver lugar onde coubesse armado"

Lucília Monteiro

Três mil caracóis da mesma espécie (o listrado) mostram-nos que não há nenhum igual."Porque é que todos os indivíduos da mesma espécie são todos diferentes?", reforça o biólogo Nuno Ferrand
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Três mil caracóis da mesma espécie (o listrado) mostram-nos que não há nenhum igual."Porque é que todos os indivíduos da mesma espécie são todos diferentes?", reforça o biólogo Nuno Ferrand

Lucília Monteiro

Este núcleo, com exemplares dos comprimidos existentes nas farmácias portuguesas é, sobretudo, um hino à ciência e à medicina
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Este núcleo, com exemplares dos comprimidos existentes nas farmácias portuguesas é, sobretudo, um hino à ciência e à medicina

Lucília Monteiro

Neste Centro da Ciência Viva, sob a temática da biodiversidade, não se esquecem as diferentes plantas e sementes do planeta a partir das quais nos alimentamos
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Neste Centro da Ciência Viva, sob a temática da biodiversidade, não se esquecem as diferentes plantas e sementes do planeta a partir das quais nos alimentamos

Lucília Monteiro

Neste cubo de vidro estão representadas as 400 raças de cães que existem no mundo, com o lobo ao centro, mostrando que todos descenderam da mesma espécie
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Neste cubo de vidro estão representadas as 400 raças de cães que existem no mundo, com o lobo ao centro, mostrando que todos descenderam da mesma espécie

Lucília Monteiro

A transformação dos alimentos também tem aqui lugar, neste caso, tomando como exemplo o milho desde o mais antigo (trazido do Peru, Bolívia e Equador) ao transgénico
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A transformação dos alimentos também tem aqui lugar, neste caso, tomando como exemplo o milho desde o mais antigo (trazido do Peru, Bolívia e Equador) ao transgénico

Lucília Monteiro

Charles Darwin está à "nossa" espera numa sala, com dois coelhos no colo (um deles, o de Porto Santo, que o cientista estudou para as suas teorias da evolução das espécies)
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Charles Darwin está à "nossa" espera numa sala, com dois coelhos no colo (um deles, o de Porto Santo, que o cientista estudou para as suas teorias da evolução das espécies)

Lucília Monteiro

A diferente visão e localização dos olhos dos animais é lembrada nesta sala
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A diferente visão e localização dos olhos dos animais é lembrada nesta sala

Lucília Monteiro

Um pequeno herbário mostra-nos as diferentes espécies que se encontram lá fora, no Jardim Botânico
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Um pequeno herbário mostra-nos as diferentes espécies que se encontram lá fora, no Jardim Botânico

Lucília Monteiro

Não há um percurso rigoroso de visita à Galeria da Biodiversidade, de portas abertas desde 30 de junho, na Casa Andresen, no Jardim Botânico do Porto, onde Ruben A. e Sophia de Mello Breyner Andresen brincaram. E não há um itinerário rigoroso porque tudo é tão infinitamente belo, que tanto nos detemos na diversidade dos ovos e ovoides – “uma metáfora para a origem da vida”, como nos conta o biólogo Nuno Ferrand, numa visita guiada – como olhamos os três mil caracóis da mesma espécie, sem que encontremos um igual, ou paramos junto à peça estrela da casa: o esqueleto da baleia (com 15 metros de comprimento).

“É uma casa de memórias”, vai dizendo o biólogo e grande impulsionador deste primeiro polo do Museu de História Natural e da Ciência da Universidade do Porto que, um dia, após ter lido o conto Saga, incluído no livro Histórias da Terra e do Mar, sonhou que o esqueleto da baleia fosse armado naquele átrio. “O desejo de Sophia” como lhe chamam, faz-nos pensar, pois, “como Sophia teria imaginado a baleia, que parece estar a emergir neste átrio tão grande como o mar”, alude o biólogo. A primeira semana de abertura ao público da Galeria da Biodiversidade, que tem recebido cerca de 500 visitantes por dia, está a superar as expectativas. “Não estava à espera”, confessa Nuno Ferrand.

Os vários núcleos expositivos (cerca de meia centena) cruzam a biologia, a arte e a história

Os vários núcleos expositivos (cerca de meia centena) cruzam a biologia, a arte e a história

Lucília Monteiro

Contávamos em cima que aqui tudo é infinitamente belo. Desde a vitrina com dezenas de ovos e ovoides, divididos por tamanhos, cores e formas. À que representa todas as raças de cães existentes no mundo (cerca de 400) e que descendem de uma única espécie, o lobo (que se encontra, iluminado, ao centro). À representação das diferentes sementes de plantas “que os portugueses levaram pelo mundo” e que constituem a base da nossa alimentação, ou à vitrina que nos mostra um exemplar de todos os comprimidos existentes nas farmácias portuguesas.

Há, ainda, espaço para interagir e brincar. Mesas onde identificamos morangos, laranjas, gengibre ou maçãs através do olfato, brincamos com ovos ou escutamos, sentados numa cadeira, diante do esqueleto da baleia, a diferença entre os batimentos cardíacos deste mamífero gigante e os de um ratinho anão (o mamífero mais pequeno do mundo) e cujo esqueleto minúsculo temos em frente – o coração da baleia bate seis vezes por minuto, enquanto o do ratinho bate mil a cada 60 segundos.

Nas salas em volta do átrio central, exemplifica-se, com a ajuda de veados e pavões, a teoria da evolução por seleção natural de Darwin num planeta “onde temos oito a dez milhões de espécies diferentes”. Noutras, vemos a diversidade de cores das plantas do Jardim Botânico, cujas folhas foram transformadas num pequeno herbário, os tais três mil caracóis listrados, da mesma espécie, mas em que um não é igual ao outro, a visão e os sentidos da cobra, abelha, coruja, falcão ou vaca, ou a camuflagem dos animais.

Quase no final desta viagem pela vida, espera-nos Charles Darwin, sentado, com dois coelhos ao colo – um deles de Porto Santo, na Madeira, animal muito estudado pelo cientista inglês nas suas teorias sobre a evolução das espécies. E, claro, Sophia de Mello Breyner, numa sala do piso inferior, celebrando a diversidade de línguas no mundo enquanto se escutam alguns dos seus poemas lidos por Ana Luísa Amaral.

A Galeria da Biodiversidade é, sobretudo, uma lição de vida. E a confirmação, como diz Nuno Ferrand, que "qualquer espécie deve ser preservada pelo simples facto de existir". Este Centro da Ciência Viva “reflete todas as áreas do saber da Universidade, cruzando a ciência e a literatura”. E, continua o biólogo, a mensagem que nos deixa é que a vida “vale a pena ser conservada porque é exuberante e bela”.

A diversidade humana que nos mostra sermos tão diferentes e tão iguais

A diversidade humana que nos mostra sermos tão diferentes e tão iguais

Lucília Monteiro

Galeria da Biodiversidade > Casa Andresen, Jardim Botânico do Porto, R. do Campo Alegre, 1191, Porto > ter-dom 10h-18h > €5/adultos; €2,50 (5-18 anos); €14/bilhete família; <4 anos grátis