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'Incerteza Viva': Obras da Bienal de São Paulo expostas em Serralves

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Da Bienal de São Paulo para o parque da Fundação de Serralves, no Porto, vem Incerteza Viva, uma exposição que nos quer ajudar a repensar o mundo. Para ver até 1 de outubro

Obra de Alicia Barney, uma das artistas representadas na exposição que inclui, entre outros, nomes como Sónia Andrade, Cecilia Bengolea e Jeremy Deller, Bárbara Wagner e Benjamin de Burca, Öyvind Fahlström, Leon Hirszman e Lais Myrrha

Obra de Alicia Barney, uma das artistas representadas na exposição que inclui, entre outros, nomes como Sónia Andrade, Cecilia Bengolea e Jeremy Deller, Bárbara Wagner e Benjamin de Burca, Öyvind Fahlström, Leon Hirszman e Lais Myrrha

Leo Eloy

Esta é a segunda vez que a Bienal de São Paulo marca presença em Serralves, reafirmando o compromisso de ambas as instituições com a difusão da arte contemporânea a nível global – mas sempre com a intenção de acrescentar algo ao que foi apresentado, há quase um ano, no Parque do Ibirapuera. “Pensamos que seria interessante repensar o modelo da bienal, usando o património de Serralves para as obras serem experienciadas de forma diferente”, explica João Ribas, diretor adjunto e curador do museu, sobre Incerteza Viva – Uma exposição a partir da 32ª Bienal de São Paulo. Desde logo, foram encomendados cinco pavilhões, cada um com a sua linguagem, para serem distribuídos pelo parque, a ateliês de jovens arquitetos do Porto (depA, Diogo Aguiar Studio, Fahr, fala atelier e Ottotto). “Dá-nos a oportunidade de trabalhar com a arquitetura do Porto num projeto singular, numa encomenda que se relaciona com o contexto único do parque”, acrescenta.

'Gozolândia', de Priscila Fernandes

'Gozolândia', de Priscila Fernandes

Nestes pavilhões, mas também colocadas isoladamente pelo parque ou patentes no museu, haverá obras que contribuem para uma reflexão sobre o tema que norteou esta edição, a forma como a arte contemporânea desenvolveu estratégias para acolher ou habitar a incerteza. “A arte vive à custa da incerteza, do acaso, da improvisação e, simultaneamente, procura contar o incontável e medir o imensurável. Deixa margem para o erro, para a dúvida e até para os fantasmas e os mais profundos pressentimentos, sem fugir deles nem os manipular. Portanto, não faria sentido tomar os seus inúmeros métodos de raciocínio e execução e aplicá-los a outros campos da vida pública?”, perguntava Jochen Volz, o comissário da 32ª Bienal de São Paulo, num texto que era uma verdadeira exortação da arte enquanto força transformadora da vida.

As questões do ambiente, da precariedade e da ecologia são abordadas pelos 14 artistas presentes, entre eles os portugueses Gabriel Abrantes, Lourdes Castro, Priscila Fernandes, Carla Filipe e Grada Kilomba. Pinturas e esculturas, vídeos e instalações, em que se foca desde a condição dos indígenas (no projeto Vídeo nas Aldeias) à relação entre o ser humano e outras espécies (como acontece no filme O Peixe, de Jonathas de Andrade). Visões do mundo que podem ajudar a lidar com uma vida de incertezas.

Incerteza Viva – Uma exposição a partir da 32ª Bienal de São Paulo > Fundação de Serralves > R. D. João de Castro, 210, Porto > T. 22 615 6584 > 1 jul-1 out, seg-sex 10h-19h, sáb-dom 10h-20h > €10