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Memórias embrulhadas em serapilheira

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Em Disruptive Order, a artista israelita Dvora Morag serve-se de formas esquivas e enigmáticas para criar um inquietante espaço doméstico, habitado por memórias (pessoais ou coletivas) do Holocausto. Esta é uma das exposições integradas no Terra(s) de Sefarad – Encontros de Culturas Judaico-Sefardita, a decorrer em Bragança

Dvora Morag esteve, durante semanas, em Bragança, para acompanhar a montagem da exposição Disruptive Order, no Centro de Arte Contemporânea Graça Morais

Dvora Morag esteve, durante semanas, em Bragança, para acompanhar a montagem da exposição Disruptive Order, no Centro de Arte Contemporânea Graça Morais

Lucília Monteiro

Os pratos, os copos e os talheres, envoltos em serapilheira, estão suspensos sobre uma mesa ilusória, posta numa das salas do Centro de Arte Contemporânea Graça Morais. Este material rude utilizado na instalação evoca tempos de dificuldades e de medo vividos pela família da artista israelita Dvora Morag (1949). Filha de sobreviventes de Auschwitz, a sua obra, como descreve o comissário Jorge da Costa, “ficaria moldada pelas lembranças fragmentárias e dolorosas do holocausto, mesmo que em segunda mão”.

Disruptive Order é um dos destaques do Terra(s) de Sefarad – Encontros de Culturas Judaico-Sefardita, com um programa que ajudará a redescobrir a cultura sefardita no nordeste transmontano. O espaço museológico também acolhe uma nova exposição de Graça Morais, A Coragem e o Medo, com uma série de pinturas dedicadas ao drama dos refugiados. Ambas as mostras poderão ser vistas até 15 de setembro.

Obras da exposição A Coragem e o Medo, da autoria de Graça Morais

Obras da exposição A Coragem e o Medo, da autoria de Graça Morais

Lucília Monteiro

Já no Centro de Fotografia Georges Dussaud, inauguraram duas exposições: uma do próprio Georges Dussaud, A Cidade e as Serras, com imagens recentes feitas em Bragança, a convite do município, muitas delas com ligação aos rituais sefarditas; e Trás-os-Montes, Terra de Contrastes, com base nos registos fotográficos de Orlando Ribeiro. No Museu do Abade de Baçal está ainda patente a exposição documental e etnográfica Quando as periferias são centros: a indústria de tecelagem e das sedas, com base na produção e indústrias da seda, na época do auge da exploração setecentista.

Centro de Arte Contemporânea Graça Morais > R. Abílio Beça, 105, Bragança > T. 273 302 410 > até 15 set, ter-dom 10h-18h30 > €2,03 > Centro de Fotografia Georges Dussaud > R. Abílio Beça 75/77, Bragança > T. 273 324 092 > até 15 set, seg-sex 09h-12h30, 14h-17h30 > entrada livre > Museu do Abade de Baçal > R. Abílio Beça, 27, Bragança > T. 273 331 595 > 16-30 jun, ter-sex 10h-17h, sáb-dom 10h-18h > grátis