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Na exposição 'Please Do Not Bend', o kitsch é uma arma

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Numa mostra de fotografias e colagens, Cláudia Clemente questiona o lugar das mulheres no mundo contemporâneo. Please Do Not Bend está no Espaço Espelho d'Água, em Lisboa, até setembro

À revisitação do papel da mulher no mundo contemporâneo é dada uma carga de absurdo através da abordagem estética

À revisitação do papel da mulher no mundo contemporâneo é dada uma carga de absurdo através da abordagem estética

“É um delírio meu”, começa por nos dizer Cláudia Clemente acerca da sua nova exposição de fotografias e colagens, Please Do Not Bend, desde esta quarta-feira, 7, no Espaço Espelho d’Água, em Lisboa. E não deixa de ser curioso o emprego da palavra “delírio”, tanto no que tem de alucinação como de exaltação. De alucinação perante a ainda pertinência do feminismo na sociedade dos dias de hoje – e feminismo, para os mais desatentos, não é acerca de uma qualquer superioridade das mulheres em relação aos homens mas sim a de uma igualdade de direitos e oportunidades. E de exaltação, no que isso tem de grito e denúncia. Ou, como dizia alguém num cartaz aquando das Women Marches que aconteceram um pouco por todo o mundo este ano, 
“I can’t believe I still have to protest for this shit” (“não acredito que ainda tenho de protestar por esta porcaria”).

“Tem recortes de Crónicas Femininas e outras revistas portuguesas, francesas, espanholas e brasileiras dos anos 50, 60, 70. E questiona o papel da mulher na sociedade, revisitando os modelos-cliché da mulher-mãe, da mulher-esposa, da mulher-dona de casa, partindo do século passado e confrontando-os com a realidade contemporânea”, explica Cláudia Clemente.

A esta revisitação do papel da mulher no mundo contemporâneo, conferindo-lhe uma circularidade histórica, em que modelos do antes se replicam nos modelos do agora, é dada uma carga de absurdo através da abordagem estética: enquadramentos, encenações e posturas de poseur – a própria Cláudia – que roçam o kitsch e até mesmo o pindérico.

A inauguração é acompanhada do lançamento do livro com 20 imagens (autorretratos) da exposição anterior da artista, Playing With Myself e, ainda, 20 textos. Foram desafiados 20 escritores para o projeto e enviada a cada um apenas uma fotografia. “Só no fim foram reunidos os 20 textos com as 20 fotos – e os próprios escritores nunca leram os textos uns dos outros nem viram as restantes imagens.”

Please Do Not Bend > Espaço Espelho d'Água > Av. Brasília, 210, Lisboa > T. 21 301 0510 > até 30 set > dom-qui 11h-24h, sex-sáb 11h-1h