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'A Divina Comédia: Inferno' é uma viagem a caminho das estrelas

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O Teatro O Bando põe uma floresta metálica no palco do D. Maria II e, pela mão de Dante, segue em busca do sentido da humanidade. A Divina Comédia: Inferno estreia-se esta quinta-feira, 11, em Lisboa, e chega depois ao Porto e a Coimbra

“É uma contemplação daquilo que somos. Um espetáculo sobre a humanidade”, resume o encenador João Brites

“É uma contemplação daquilo que somos. Um espetáculo sobre a humanidade”, resume o encenador João Brites

Há almas ruins e almas sofridas, serpentes e diabos, fúrias e divindades. Por ali, segue Dante, alucinado, numa viagem iniciática, rumo ao inferno. Ouvem-se cantos e coros neste limbo que aqui ganhou a forma de estrutura metálica em espiral. Uma floresta de ferro, instável como a vida, por onde anda uma imensa multidão, em movimento constante. O Teatro O Bando começa agora a “quimérica missão” de levar à cena A Divina Comédia, de Dante Alighieri. Depois deste Inferno, chegarão ao Purgatório, em 2019, e hão de alcançar o Paraíso, em 2021.

“É uma contemplação daquilo que somos. Um espetáculo sobre a humanidade”, resume o encenador João Brites, falando da “responsabilidade brutal” de pegar neste texto “genial” e “ousado”. Seguindo Dante, caminharemos em busca da nossa identidade, olhando a forma como nos organizamos em sociedade, construindo representações simbólicas e religiões, e também a maneira como lidamos com os nossos medos, como convivemos e tentamos sobreviver à finitude. Tal como um sistema complexo de células. “Vimos todos do mesmo sítio, somos todos capazes de tudo. Não existem eleitos, todos somos confrontados com as mesmas questões”, nota João Brites. Somos vítimas e predadores, sempre.

Em palco, juntam-se os atores do D. Maria II, os estagiários que estão agora no Teatro Nacional e outros atores vindos d’ O Bando. Ao todo, são 21 pessoas em cena, num elenco onde há personagens que se desdobram nas suas sombras e onde muitos aparecem em trios e trindades – e onde, ainda, se põem extravagantes chapéus de fantasia.

Nós, público, faremos com eles a viagem de Dante. Entraremos pelo palco para só depois chegarmos à plateia e estaremos nos grandes ecrãs que servem de cenário. Nós ali, como eles, à espera de chegar às estrelas.

A estrutura metálica em espiral, no palco, é uma floresta de ferro, instável como a vida, por onde anda uma imensa multidão, em movimento constante

A estrutura metálica em espiral, no palco, é uma floresta de ferro, instável como a vida, por onde anda uma imensa multidão, em movimento constante

Teatro Nacional D. Maria II > Pç. D. Pedro IV, Lisboa > T. 21 325 0800 > 11 mai-4 jun, qua 19h, qui-sáb 21h, dom 16h > €5 a €17 > Teatro Carlos Alberto > R. das Oliveiras, 43, Porto > T. 22 340 1900 > 15-18 jun, qui-sex 21h, sáb 19h, dom 16h > €10 > Convento São Francisco > Av. da Guarda Inglesa, 3, Coimbra > T. 239 857 191 > 24 jun, sex 21h30