Visão Sete

Siga-nos nas redes

Perfil

Fujifilm FIF: Viseu já tem um festival internacional de fotografia

Ver

  • 333

O tema da primeira edição do Fujifilm FIF Viseu, Inspiring Positive Change, deixa a nota de um festival de causas. Até 4 de julho, 14 exposições de artistas nacionais e internacionais estarão patentes em vários espaços da cidade

Fotografia da exposição coletiva Piles of Trash, da autoria de John Gallo
1 / 9

Fotografia da exposição coletiva Piles of Trash, da autoria de John Gallo

John Gallo

O fotógrafo espanhol Adrian Dominguez capturou as desigualdades da sociedade madrilena
2 / 9

O fotógrafo espanhol Adrian Dominguez capturou as desigualdades da sociedade madrilena

Adrian Dominguez

A sueca Gunta Podina, fotógrafa especializada em questões de antropologia social e cultural, participa na coletiva Piles of Trash, com uma série de retratos de sem-abrigo
3 / 9

A sueca Gunta Podina, fotógrafa especializada em questões de antropologia social e cultural, participa na coletiva Piles of Trash, com uma série de retratos de sem-abrigo

Gunta Podina

O polaco Tomasz Lazar é o cabeça de cartaz do festival, onde apresenta uma exposição sobre a estação de Shinjuku, uma das mais movimentadas de Tóquio
4 / 9

O polaco Tomasz Lazar é o cabeça de cartaz do festival, onde apresenta uma exposição sobre a estação de Shinjuku, uma das mais movimentadas de Tóquio

Tomasz Lazar

Na exposição Ocean Rage, a fotógrafa franco-italiana Matilde Gattoni regista os efeitos do aquecimento global e da subida das águas dos oceanos
5 / 9

Na exposição Ocean Rage, a fotógrafa franco-italiana Matilde Gattoni regista os efeitos do aquecimento global e da subida das águas dos oceanos

Matilde Gattoni

As imagens de Diana Markosian exploram a relação entre memória e lugar
6 / 9

As imagens de Diana Markosian exploram a relação entre memória e lugar

Diana Markosian

O projeto Postcards for my portuguese grandmother, de Letícia Valverdes, foi o vencedor do concurso para uma residência artística em Viseu
7 / 9

O projeto Postcards for my portuguese grandmother, de Letícia Valverdes, foi o vencedor do concurso para uma residência artística em Viseu

Letícia Valverdes

O ensaio fotográfico Europe's New Borders será apresentado, na primeira pessoa, pelo premiado Rasmus Degnbol
8 / 9

O ensaio fotográfico Europe's New Borders será apresentado, na primeira pessoa, pelo premiado Rasmus Degnbol

Rasmus Degnbol

A exposição individual do espanhol Pedro Armestre é dedicada aos fogos florestais
9 / 9

A exposição individual do espanhol Pedro Armestre é dedicada aos fogos florestais

Pedro Armestre

Crescenciana Espírito Santo, assim se chamava a avó de Letícia Valverde, nascida no Mundão, uma freguesia do concelho de Viseu. Em 1921, emigrou para o Brasil e nunca mais regressou a Portugal. Agora, veio a sua neta, fotógrafa a morar no Reino Unido e vencedora da residência artística promovida pelo Fujifilm FIF Viseu. Aqui, percorreu a aldeia beirã, a descobrir a vida que Crescenciana podia ter vivido caso nunca tivesse partido. As imagens recolhidas durante o passado mês de abril estarão reunidas na exposição Postcards for my Portuguese Grandmother, onde Letícia explora os conceitos da memória, da saudade, do passado e da cultura locais.

“Foram mais de 250 candidaturas, de 120 países, que responderam ao desafio de olhar para as freguesias limítrofes de Viseu”, conta John Gallo, o diretor artístico do festival internacional de fotografia, cuja primeira edição começa esta sexta-feira, 5, uma coorganização da agência criativa Chappa e da câmara municipal de Viseu, a que se junta o apoio significativo da Fujifilm. A proposta de Letícia, nas palavras de Roger Tooth, o presidente do Júri, era “irresistível”. “A ideia de um cidadão lusófono do novo mundo que documenta o antigo é intrigante”, acrescenta aquele que, em 2001, assumiu o cargo de Head of Photography no jornal The Guardian. Tooth será um dos convidados do FIF e lecionará uma das palestras integradas no programa, com o tema How to get published? (dia 21). Como em todas as formações incluídas no FIF, “não se pretendem discussões metafísicas sobre a fotografia, mas dar ferramentas que os participantes possam utilizar no dia-a-dia”, explica John Gallo.

Haverá 14 exposições espalhadas por vários locais da cidade, desde o nobre Solar do Vinho do Dão (onde estará patente a coletiva Inspiring Positive Change e a mostra central Piles of Trash) a lojas abandonadas do centro histórico. “Não é um festival elitista, quer estar próximo das pessoas que gostam de fotografia, com exposições em todo o lado, e pôr em cima da mesa algumas questões sociais e ambientais”, descreve John Gallo. Assente em ensaios fotográficos, traz a Viseu fotógrafos mundialmente reconhecidos e premiados.

O polaco Tomasz Lazar é o cabeça de cartaz do festival, onde apresenta uma exposição sobre a azáfama da estação de Shinjuku, em Tóquio, uma das mais movimentadas do mundo, com rostos cansados e sonolentos sobrepostos nas janelas das carruagens. Também ele marcará presença em Viseu e dará uma masterclass com o título Choosing the right subject (dia 14) . Dos temas ambientais tratará, por exemplo, a franco-italiana Matilde Gattoni, que registou os efeitos do aquecimento global e da subida das águas dos oceanos, ou o espanhol Pedro Armestre, cuja exposição individual é dedicada aos fogos florestais.

Para fazer o retrato de cidadãos desfavorecidos da União Europeia, foram atribuídas comissões a Daniel Seiffert (Alemanha), Adrian Dominguez (Espanha), Gunta Podina (Suécia) e ao próprio John Gallo (nascido em Portugal, viveu no Reino Unido durante vários anos, tendo ficado com este nome artístico), cujos ensaios estarão reunidos na coletiva Piles of Trash.

A comunidade Instagram não foi esquecida, exibindo-se uma instalação com trabalhos de sete instagrammers (Hiroaki Fukuda, Sergei Srakhanov, Gregory Woodman, Sebastian Weiss e os portugueses Kitato, João Bernardino e Diogo Oliveira), com mais de um 1,5 milhões de seguidores. Nos dias 20 e 21, haverá em Viseu um Instameet (organizado pelo Público/P3), aberto a todos os participantes. Já para 2 de junho, está marcada uma maratona fotográfica pelo Instagram, dirigida a fotógrafos de todo o mundo. A partir da sua localização original, responderão aos desafios fotográficos lançados pela organização do festival.

A Fujifilm, além do financiamento, levará até à cidade alguns dos embaixadores da marca (entre os X-Photographers nacionais estão António Homem Cardoso, Alfredo Cunha e Nelson Marques, desafiados a acompanhar durante um dia algumas personalidades da terra beirã). “Não conheço outro festival de fotografia em que a Fujifilm seja naming sponsor, é uma experiência nova também para a marca e está a envolver-se bastante”, diz John Gallo. Em princípio, a segunda edição do festival, para 2018, já está assegurada.

Fujifilm FIF Viseu > Exposições no Solar do Vinho do Dão, Capela de Sto. António, Palácio dos Melos, Palácio do Gelo, Casa da Ribeira, Moinhos da Balsa, Parque de estacionamento do Fórum Viseu, Carmo’81, ESEV, Central de Camionagem, Museu Nacional Grão Vasco, R. D. Duarte, 53, R. Escura,14, Lg. Sto. António, 16 > 5 mai-4 jul, 14h-20h, sáb-dom 10h30-20h00 > grátis