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Casa do Design mostra playlist da editora Orfeu

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A voz de Adriano Correia de Oliveira e Zeca Afonso, os poemas de Eugénio de Andrade, Miguel Torga e José Régio, os desenhos de Moreira Azevedo e Isabel Nave, o design de Fernando Aroso, as fotografias de Eduardo Gageiro e Patrick Ullmann. Com eles traça-se o percurso da editora Orfeu e parte da história do País, numa exposição para ver e ouvir na Casa do Design, em Matosinhos, até 12 de junho

A editora de Adriano Correia de Oliveira e Zeca Afonso está na Casa do Design, em Matosinhos

A editora de Adriano Correia de Oliveira e Zeca Afonso está na Casa do Design, em Matosinhos

São mais de 500 discos da editora Orfeu, alguns materiais inéditos e muitas histórias que compõem a exposição Discos Orfeu – Imagens, Palavras, Sons (1956-1983), patente na Casa do Design de Matosinhos, até 12 de junho. “Embora seja essencialmente de imagem, não se reduz a discos e capas”, observa José Bártolo, que coordenou o trabalho de investigação articulado com Arnaldo Trindade, fundador da Orfeu.

Quem por estes dias ouviu Grândola Vila Morena, de Zeca Afonso, talvez não se lembre como era a capa do disco original. Nesta exposição, além do álbum, contam-se curiosidades sobre a gravação da marcha que antecede a entrada da voz. “Há muitas histórias que se podem contar à volta disto”, diz José Bártolo. Algumas podem ser ouvidas em três momentos de conversa, nas quais vão participar Arnaldo Trindade, Fausto, José Cid, investigadores e colecionadores convidados, em datas a divulgar em breve.

O disco 10 000 anos depois entre Vénus e Marte, de José Cid é um dos marcos da história do rock progressivo em Portugal

O disco 10 000 anos depois entre Vénus e Marte, de José Cid é um dos marcos da história do rock progressivo em Portugal

A editora de Arnaldo Trindade, com sede no Porto, começou por fazer edição fonográfica em disco de vinil das palavras de Miguel Torga, Eugénio de Andrade e José Régio, com capas desenhadas pelo pintor Moreira Azevedo. Foi também na Orfeu que Adriano Correia de Oliveira editou toda a sua obra, José Afonso gravou canções icónicas em álbuns como Traz Outro Amigo Também (1970) ou Cantigas do Maio (1971). No catálogo musical entraram, em 1978, Pano-Cru, de Sérgio Godinho, e 10 000 anos depois entre Vénus e Marte, de José Cid, tido como marco do rock progressivo portugês.

Sempre ligada à música de intervenção, a editora “destacou-se pela qualidade estética e gráfica das capas de disco”, observa José Bártolo. Além de exemplares dessas criações artísticas, na Casa do Design podem ver-se maquetes, desenhos, material documental (fonográfico e vídeo) e alguns documentos inéditos. É o caso do primeiro contrato assinado por Zeca Afonso e os originais da arte final da capa de O Coro dos Tribunais. “Consegue-se perceber, se analisarmos a representatividade das capas, que a história não é linear”, remata José Bártolo.

Discos Orfeu – Imagens, Palavras, Sons (1956-1983) > Casa do Design de Matosinhos > R. Alfredo Cunha, 15, Matosinhos > T. 22 939 0950 > 4 mai- 12 jun, seg-sex 9h-12h30, 14h-17h30, sáb 15h-18h

A edição fonográfica em disco das palavras de José Régio com desenhos de Moreira Azevedo

A edição fonográfica em disco das palavras de José Régio com desenhos de Moreira Azevedo