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Ciclo Mizoguchi: As pérolas do cinema japonês

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Até 10 de maio, o Espaço Nimas, em Lisboa, passa uma dezena de filmes de Kenji Mizoguchi. O ciclo dedicado ao realizador japonês chega depois ao Porto, Coimbra, Braga, Setúbal e Figueira da Foz

Os Amantes Crucificados, 1954
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Os Amantes Crucificados, 1954

Festa em Gion, 1953
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Festa em Gion, 1953

A Senhora Oyu, 1951
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A Senhora Oyu, 1951

Rua da Vergonha, 1956
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Rua da Vergonha, 1956

A Leopardo Filmes prossegue o meritório trabalho de repor em sala, com cópias restauradas, obras de alguns dos maiores realizadores mundiais de todos os tempos. Já o fizeram com Bergman, Visconti, Satyajit Ray, Eisenstein… Deslocam-se agora ao Oriente para celebrar a extraordinária cinematografia de Kenji Mizoguchi (1898-1956). E, para começar, três grandes pérolas do cinema japonês, da última e mais profícua fase da sua obra: Contos de Lua Vaga (1953), 
A Mulher de Quem se Fala (1954) 
e Os Amantes Crucificados (1954).

Contos de Lua Vaga, que recebeu o Leão de Prata em Veneza, e ajudou ao culto da cinematografia do japonês, é uma obra-prima absoluta. Passado durante a guerra civil, no século XVI, atesta a animalidade e barbárie do homem em situações limite. Mas se Contos de Lua Vaga fala da natureza humana em tempos extremos de guerra, Os Amantes Crucificados, situado no século XVII, relata crueldade semelhante em tempos de paz. Aqui, todo o amor é castigado, até ao limite da crucificação. Pena de morte para quem ama. Mizoguchi revela todo o seu deslumbrante desenho arquitetónico, na exploração do campo nos espaços interiores das mansões japonesas. 
E, apesar da crueldade social e física, Mizoguchi produz um hino ao amor, elogiando aqueles que preferem o amor à própria morte.

Ao contrário do 
que acontece em A Mulher de Quem 
se Fala, passada na Quioto dos 
anos 50, em que se realça a inevitabilidade da desventura, do desgosto amoroso. Aqui já não há uma crueldade física, apenas social e moral. Mizoguchi entra a fundo no quotidiano de uma casa de gueixas e descobre a hipocrisia social, ao lado das desventuras amorosas de mãe e filha, num triângulo pouco convencional que as leva ao desespero.

O ciclo segue com outras obras do cineasta japonês como Festa em Gion (1953), A Senhora Oyu (1951), A Imperatriz Yang Kwei Fei (1955), O Intendente Sansho (1954), 
Rua da Vergonha (1956) e O Conto 
dos Crisântemos Tardios (1939). E depois de Lisboa, chega ao Porto, Coimbra, Braga, Setúbal e Figueira da Foz.

Ciclo Mizoguchi > Espaço Nimas > Av. 5 de Outubro, 42 B, Lisboa > T. 21 357 4362 > 13 abr-10 mai, seg-dom 13h30, 15h30, 17h30, 19h30, 21h30 > €6 > Teatro Municipal do Campo Alegre > R. das Estrelas, Porto > T. 22 606 3000 > a partir 11 mai > €5,50