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'Como Ela Morre': Os fantasmas imortais da literatura

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Pode um romance ser um manual de sobrevivência? Anna Karenina, de Tolstoi, transforma as vidas de dois casais na nova peça de Tiago Rodrigues, Como Ela Morre. Para ver no Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa, até 19 de março

Vânia Maia

Vânia Maia

Jornalista

Vinte anos depois do primeiro encontro, Tiago Rodrigues volta a juntar-se à companhia belga tg STAN, colocando em cena atores nacionais (Isabel Abreu e Pedro Gil) e belgas (Frank Vercruyssen e Jolente de Keersmaeker)

Vinte anos depois do primeiro encontro, Tiago Rodrigues volta a juntar-se à companhia belga tg STAN, colocando em cena atores nacionais (Isabel Abreu e Pedro Gil) e belgas (Frank Vercruyssen e Jolente de Keersmaeker)

Filipe Ferreira

Uma mulher lê Anna Karenina na Lisboa de 1967. Um homem lê Anna Karenina na Antuérpia de 2017. Apesar de tudo o que os separa, ambos sentem o impacto do romance de Leon Tolstoi no momento de tomarem decisões nas suas vidas. “O espetáculo fala de sermos habitados por personagens de livros e da influência que eles podem ter no nosso quotidiano”, explica o autor do texto, Tiago Rodrigues, atual diretor do Teatro D. Maria II, em Lisboa. Vinte anos depois do primeiro encontro, o dramaturgo volta a juntar-se à companhia belga tg STAN, colocando em cena atores nacionais (Isabel Abreu e Pedro Gil) e belgas (Frank Vercruyssen e Jolente de Keersmaeker), unidos nesta cocriação de Como Ela Morre pelo “prazer das palavras”.

Anna Karenina, muito mais do que a história de uma mulher que deixou o marido, é uma bíblia sobre questões tão existenciais como a procura da felicidade. O belga lê a obra 140 anos depois da publicação, sendo um possível descendente daqueles que a leram meio século antes, mas a questão temporal não é essencial, antes instrumental: “Não queremos falar de como eram as sociedades portuguesa e belga em determinada época, mas o facto de as personagens estarem nesses contextos permite-nos falar da vida, da morte, da solidão ou do amor de forma diferente.” A ideia de felicidade de quem combateu na Guerra Colonial será sempre diferente da de quem não teve essa vivência brutal.

“A morte de Anna Karenina é a melhor morte da história da literatura. Quando a li, estragou-me o dia e salvou-me o dia”, avalia Tiago Rodrigues, que sempre se interessou pelos efeitos reais da experiência transcendente da leitura. Igualmente emblemática é a primeira frase do romance: “As famílias felizes são todas iguais; as famílias infelizes são infelizes cada uma à sua maneira.” Em cena, como na vida.

Como Ela Morre > Teatro Nacional D. Maria II > Pç. D. Pedro IV, Lisboa > T. 800 213 250 > 9-19 mar, qua 19h, qui-sáb 21h e dom 16h > €5 a €17

Teatro Nacional São João > Pç. da Batalha, Porto > T. 22 340 1910 > 22-25 mar, qua-sáb 21h > €7,50 a €16