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O fabuloso mundo da internet, por Felipe Pantone

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A arte urbana do argentino Felipe Pantone, influenciada tanto pela op art como pelo mundo digital, chega à galeria Underdogs, em Lisboa, com a exposição Artifact of Human Communication. Para ver até 22 de abril

Com inspiração na op art, movimento da década de 50 do século passado que explorava o abstracionismo através da ilusão ótica, o trabalho de Felipe Pantone promove uma sensação de voragem, de velocidade inerente aos dias que vivemos, juntando elementos de graffiti, arte cinética, instalação e design

Com inspiração na op art, movimento da década de 50 do século passado que explorava o abstracionismo através da ilusão ótica, o trabalho de Felipe Pantone promove uma sensação de voragem, de velocidade inerente aos dias que vivemos, juntando elementos de graffiti, arte cinética, instalação e design

Felipe Pantone nasceu quatro anos depois, mas em 1982 era exibido nos cinemas um filme chamado Tron, um dos primeiros a utilizar computação gráfica, com Jeff Bridges no papel de um engenheiro de software de jogos de computador que conseguia entrar no mundo virtual de um deles. (Pequeno aparte, os Strokes têm um videoclip inspirado nesse filme: 12:51). Quando vemos as intervenções de arte urbana deste argentino (que cresceu em Espanha) na parede de um prédio, planos a negro sobrepostos de quadriculado, riscas ou vórtices, acompanhados de figuras geométricas em cores RGB, um ou dois veículos estacionados ao lado do edifício, o nosso campo de visão leva-nos a imaginar que estamos a entrar numa proposta de ciberespaço, como em Tron, filme visionário de toda a questão em torno do real e virtual.

De fora para dentro de um espaço de galeria, Felipe Pantone apresenta esta sexta-feira, 10, Artifact of Human Communication na Underdogs, em Lisboa, cujas obras vão contar com sensores que, à passagem dos visitantes, disparam sons (uma voz a ler um texto de Pantone inspirado em teóricos como Zygmunt Bauman e Noam Chomsky). “Quero que as peças tenham, literalmente, uma voz”, diz Felipe, via Skype, à VISÃO. “Bauman era pessimista em relação à sociedade de hoje, mas eu vejo-a como muito interessante.” Pantone considera que vivemos um momento importante da História, com a internet a permitir-nos acesso a informação infindável, de forma imediata e gratuita. Em relação aos seus perigos, limita-se a responder que cabe a cada um o uso que faz dela. “É como uma biblioteca, tu é que escolhes os livros que queres ler.”

Com inspiração na op art, movimento da década de 50 do século passado que explorava o abstracionismo através da ilusão ótica, o seu trabalho promove uma sensação de voragem, de velocidade inerente aos dias que vivemos, juntando elementos de graffiti, arte cinética, instalação e design. Pantone conclui a conversa dizendo: “Acho mesmo que nasci na era mais interessante da História”.

Artifact of Human Communication > Galeria Underdogs > R. Fernando Palha, Armazém 56, Lisboa > T. 21 868 0462 > 10 mar-22 abr > ter-sáb 14h-20h > grátis