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'Dimensões Variáveis': Configurações distintas, medidas rigorosas

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A partir do catálogo do Pavillon de L’Arsenal, em Paris, uma exposição que põe arte contemporânea e arquitetura em diálogo. Dimensões Variáveis está na Central Tejo, em Lisboa, até ao final de maio

Weaving, de Thomas Bayrle (2011)

Weaving, de Thomas Bayrle (2011)

Wolfgang Gnzel

Um tracinho indica o zero, o outro a palavra now (agora). São as duas únicas marcas, cada uma num dos extremos, de uma pequena régua de plástico transparente que está afixada na parede branca do segundo dos quatro núcleos expositivos de Dimensões Variáveis, patente no edifício da Central Tejo mas já com a marca do MAAT – Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia.

A ideia de tempo é o que permite a Thomas Demand enclausurar pormenores de construção numa nova clausura, a do enquadramento da fotografia, quando entramos na exposição; é o que permite a Hans-Peter Feldman tornar os módulos de uma fita métrica em linhas que ganham a forma de uma casa; é o que permite a Alexandre Périgot proporcionar-nos uma experiência sináptica dos edifícios Unités d’Habitation projetados por Le Corbusier (1887-1965) no pós-guerra através de uma estrutura metálica enorme que se move; ou é o que permite a Abraham Cruzvillegas colocar dois carros de mão em contacto com o solo, numa proposta de regresso à construção enquanto instinto e manufatura. Em Dimensões Variáveis, a arte contemporânea pensa, desconstrói e volta a construir a arquitetura, nomeadamente a moderna.

“Metade dos trabalhos vêm de coleções privadas em Portugal. Fomos procurar obras que dialogassem entre si”, diz Gregory Lang, cocurador da exposição, cujo ponto de partida foi o catálogo de Artistes et Architecture, Dimensions Variables, exibida entre outubro de 2015 e janeiro do ano passado no Pavillon de l’Arsenal, em Paris, projeto no qual esteve também envolvido. A videoinstalação de Pierre Huyghe acerca do edifício do Centro de Artes Visuais de Harvard, desenhado por Le Corbusier, é a metáfora perfeita de Dimensões Variáveis, segundo Inês Grosso, curadora do MAAT. “Há duas marionetas, do próprio artista e de Le Corbusier, e depois aparece a figura do fantasma, quase o Fantasma da Ópera, que vem atormentar os dois...”

Também na Central Tejo está agora a exposição Arquivo e Democracia, de José Maçãs de Carvalho, um ensaio visual à volta de mulheres de origem filipina que trabalham em serviços domésticos em Hong Kong.

Dimensões Variáveis > Central Tejo (MAAT, Museu de Arte, Tecnologia e Arquitetura) > Av. Brasília, Lisboa > T. 21 002 8130 > até 30 mai > qua-seg 12h-20h