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Isto é PARTIS ou a arte como motor de inclusão social

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Dez projetos apresentam, em Lisboa, o trabalho desenvolvido nos últimos três anos com o apoio do programa PARTIS – Práticas Artísticas para Inclusão Social, da Fundação Calouste Gulbenkian. A partir desta quinta-feira, 12, e ao longo de quatro dias, haverá música, teatro, fotografia, cinema e até um workshop de artes circenses, com entrada livre

No sábado, 14, o palco do Auditório 2 será do coro de surdos Mãos que Cantam, acompanhado por elementos do Coro e Orquestra Gulbenkian

No sábado, 14, o palco do Auditório 2 será do coro de surdos Mãos que Cantam, acompanhado por elementos do Coro e Orquestra Gulbenkian

Márcia Lessa

Não estava prevista uma apresentação final, mas quando surgiu o desafio para mostrar o trabalho desenvolvido ao longo de três anos, houve logo quem tenha dito sim. Lançado no final de 2013 pela Fundação Calouste Gulbenkian, ao programa de financiamento PARTIS – Práticas Artísticas para a Inclusão Social chegaram 200 candidaturas de todo o país, tendo sido selecionados 17 projetos que se dedicam, através das artes, a integrar na sociedade crianças e jovens em risco, reclusos e ex-reclusos, refugiados, pessoas isoladas ou com deficiência, e ainda desempregados de longa duração. Destes, dez apresentam agora parte do que foi feito, como o episódio piloto do projeto URB dos realizadores João Miller Guerra, Leonor Noivo, Pedro Pinho, João Salavisa e Filipa Reis, que procuraram no PARTIS apoio para criar uma minissérie para televisão que mostrasse a verdadeira realidade social da grande Lisboa, na sua diversidade e multiplicidade cultural. E que pouco ou nada tem a ver com o que aparece nas telenovelas de horário nobre. Cidade, assim lhe chamaram, foi escrito e pensado com quem mora nos bairros lisboetas, abre esta quinta-feira, 12, às 21 horas, a mostra Isto é PARTIS na Fundação Gulbenkian.

Documentário Onde As Oliveiras Crescem os Homens Não Morrem, de Tiago Moura e Pedro Pires

Documentário Onde As Oliveiras Crescem os Homens Não Morrem, de Tiago Moura e Pedro Pires

O sábado, 14, concentra a maioria das apresentações, com o dia a começar, logo às 10 e 30, com um workshop de artes circenses. Encarregue de ensinar algumas técnicas de malabarismos e equilíbrios a crianças a partir dos seis anos, está o Projeto Mala Mágica do Chapitô, que tem trabalhado com jovens de dois centros de internamento educativo de Lisboa. Para participar neste ateliê, ou no de capoeira que se segue, às 11 e 30, é necessária uma inscrição prévia através do formulário disponível no site da Fundação. Se as artes circenses e a dança podem ser motor de dinamização social, também o graffiti pode desempenhar esse papel – mesmo no campo. Disso nos fala o filme Onde As Oliveiras Crescem os Homens Não Morrem, de Tiago Moura e Pedro Pires que foram a quatro aldeias do concelho de Castelo Branco – Barbaído, Chão da Vã, Freixial do Campo e Juncal do Campo – para documentar o projeto Há Festa no Campo/Aldeias Artísticas, da Associação Ecogerminar (a sessão está marcada para as 21h).

A provar que não há impossíveis está o concerto A Mão e o Gesto, que traz ao Auditório 2, às 19 horas, um coro de homens e mulheres surdos acompanhado, em palco, por elementos do Coro e Orquestra Gulbenkian. O projeto Mãos que Cantam, promovido pela Associação Histórias para Pensar, mostra que se pode expressar, em língua gestual portuguesa, não só palavras mas também a intensidade e a métrica de uma peça musical. Nos objetivos desta associação está ainda a edição de uma manual de gestos associados à música para ajudar os professores desta área a integrarem alunos surdos nas suas aulas.

Foi também na música que jovens com necessidades especiais encontraram acolhimento. O Ensemble Juvenil de Setúbal, nascido no final de 2014, junta alunos do Conservatório de Setúbal, moradores do Bairro da Bela Vista e jovens autistas, tornando-se na primeira orquestra com estas características que se apresenta no domingo, 15, às 16 e 30. Também neste dia, pelas 19 horas, sobe ao palco da Sala Polivalente a peça Fragmentos, pelo RefugiActo. O grupo é constituído por refugiados de diferentes países que escaparam à guerra, perseguições étnicas e religiosas e surgiu no âmbito das aulas de português do Centro Português para os Refugiados, que desde 2004, aposta no teatro como uma forma destas pessoas treinarem a nossa língua e aprenderem a lidar com situações do dia a dia – da ida ao supermercado à Segurança Social.

O balanço do que foi esta primeira edição do programa PARTIS faz-se na sexta-feira, 13, na conferência Arte e Esperança: percursos de práticas artísticas para a inclusão. Conta com a participação, a partir das 10 e 30 e ao longo do dia, de François Matarasso, investigador na área das práticas artísticas comunitárias, do músico Rui Vieira Nery, de Paulo Lameiro, diretor artístico de Ópera na Prisão (espetáculo desenvolvido com reclusos do Estabelecimento Prisional de Leiria e apresentado, no verão, no programa das comemorações dos 60 anos da Fundação), de Sofia Cabrita do RefugiActo e de alguns dos participantes dos vários projetos apoiados. O PARTIS – Práticas Artísticas para a Inclusão Social é uma iniciativa do departamento de Desenvolvimento Humano da Fundação Calouste Gulbenkian e a decorrer está já uma segunda edição.

O Centro Português dos Refugiados encontrou no teatro uma forma de ensinar o português

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Márcia Lessa

Isto é PARTIS > Fundação Calouste Gulbenkian > Av. Berna, 45, Lisboa > T. 21 782 3000 > 12-15 jan, qui-dom > grátis