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'Cidade Gráfica': O que contam as ruas

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Uma exposição para não nos esquecermos dos letreiros e dos néones que vão desaparecendo das fachadas lisboetas. Para ver no Convento da Trindade, em Lisboa

Desde 2014 que Rita Múrias e Paulo Barata têm vindo a “caçar” pelas ruas de Lisboa estes letreiros e néones

Desde 2014 que Rita Múrias e Paulo Barata têm vindo a “caçar” pelas ruas de Lisboa estes letreiros e néones

António Bernardo

“Uma cidade não se constrói só de arquitetura e urbanismo, 
a identidade visual também é muito importante. Os letreiros e néones fazem parte de um património urbano que está a desaparecer.” As palavras são de Bárbara Coutinho, diretora do MUDE – Museu do Design e da Moda, que, em parceria com o projeto Letreiro Galeria, organiza a exposição Cidade Gráfica – Leituras e Reclames de Lisboa no Século XX, no Convento da Trindade, em Lisboa.

Uma viagem no tempo, aos dias em que as luzes dos néones nos guiavam até ao destino sem precisarmos de saber o número da porta. Em Cidade Gráfica, descobrimos uma outra perspetiva de Lisboa através da publicidade e da cultura urbana e acompanhamos a evolução das fachadas dos prédios. Integrada na programação do MUDE Fora de Portas, a mostra tem como base o projeto Letreiro Galeria, do casal de designers Rita Múrias e Paulo Barata, que desde 2014 têm vindo a “caçar” pelas ruas de Lisboa estes letreiros e néones. “O nosso objetivo é conservar a memória gráfica da cidade. Percebemos que os letreiros estavam a desaparecer, iam para o lixo ou eram vendidos para lojas vintage”, explica Rita Múrias, curadora da exposição.

Penduradas nas paredes e divididas pelos dois andares do convento estão cerca de 80 peças diferentes. As tabuletas de vidro e de metal e as portas guarda-vento juntaram-se no primeiro piso, onde pode ver-se também a recriação de uma antiga fachada de uma loja, pintada numa das paredes, e ainda fotos a preto e branco que documentam a existência destes materiais. Já no segundo piso, somos surpreendidos por néones de vários tamanhos, cores e tipos de letra. “A cereja no topo do bolo será talvez o néon do hotel Ritz”, diz Paulo Barata, uma peça em exposição na sala das grandes escalas, onde também está o da Macoreli e o da pastelaria Tarantela.

Depois, há que ir à caça do néon da sapataria Rosa d’Ouro, do Rei das Fardas, do Machado Oculista (composto por seis peças), da Lisbonense.som, da Docapesca ou da sapataria Elite. No meio dos letreiros estão alguns desenhos técnicos, informação recolhida nos Arquivos da Câmara Municipal de Lisboa e da Fundação Calouste Gulbenkian, que ajudam a perceber quem fez, quem desenhou ou onde estavam algumas destas peças. O trabalho de recolha e de investigação do projeto Letreiro Galeria vai continuar, prometem Rita Múrias e Paulo Barata. Assim, mesmo que as luzes se apaguem, a memória não se perde.

António Bernardo

Cidade Gráfica > Convento da Trindade > R. Nova da Trindade, 20, Lisboa > 26 nov-18 mar, ter-dom 10h-18h > grátis