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Trienal de Arquitetura de Lisboa: Da ideia ao espaço nosso de cada dia

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Sob o título A Forma da Forma, a quarta edição da Trienal de Arquitetura de Lisboa quer fazer-nos entender como é que o tecido urbano se projeta, se constrói e se pode usar melhor através de quatro exposições para ver até 11 de dezembro

Karl-Erik Olsson-Snoger

Maquetas? Desenhos de projeto? Encomendas? A arquitetura é tudo isto, e muito mais. “É conhecimento”, sublinha André Tavares, o cocurador, com Diogo Seixas Lopes (1972-2016), da Trienal de Arquitetura de Lisboa 2016, que quer gerar uma conversação entre as diversas práticas arquitetónicas. “Esta não é a cidade do cartão postal, e pode ser redescoberta no caminho que a arquitetura faz entre o conceber e o construir”, acrescenta. O programa é ambicioso: exposições, conversas, visitas a espaços nevrálgicos ou periféricos – que, lembra, “permitem aprender a conhecer melhor a cidade, mas também a saber exigir melhor arquitetura”. A intenção é mostrar as diferentes posturas perante a disciplina, e a problematização da forma, sua evidência primeira. Um fio condutor que atravessa as quatro exposições centrais da Trienal.

A Forma da Forma, na praça do novo MAAT, imagina as formas do passado a encontrar as complexidades do presente. Três arquitetos constroem um diálogo que desafia limites da autoria e da forma: Mariabruna Fabrizi e Fosco Lucarelli (da plataforma Socks) criam uma reflexão com exemplos articulados em torno de vários espaços. “A arquitetura é algo que se experimenta no espaço: não há texto, ou fotografia que ultrapasse essa experiência, mas esta exposição é essa tentativa”. Siga-se para a Fundação Gulbenkian: em Obra, agarra-se o fio da ideia até ao estaleiro. Depois, vamos até à Garagem Sul, no CCB, para observar O Mundo nos Nossos Olhos: projetos demonstrando “como a construção chega a um determinado resultado e este é utilizado pelo utente”. Para aprofundar “as questões cruzadas neste tripé de ideias – projeto, construção, uso”, desça-se ao quarto núcleo expositivo, Sines: Logística Costeira, na sede da Trienal, que reflete sobre as utilizações dos projetos, as circunstâncias da transformação da paisagem, a economia, a escala... O fio condutor emaranha-se ainda por muitos outros lugares. Num cenário em que a arquitetura tem perdido terreno perante a cidade marcada por interesses vários, André Tavares sublinha a importância de não confinar os arquitetos ao papel de “capa para pôr bonita qualquer coisa”. Como Ariadne, regresse-se ao início do fio, para ver como uma ideia pode ser tanto.

Para refletir sobre o impacto do evento na cidade, a Trienal de Arquitetura desafiou as pessoas a escreverem cartas ao presidente da Câmara de Lisboa: as missivas estão patentes em Cartas ao Sr. Presidente, na Galeria dos Paços do Concelho até 30 de novembro.

Trienal de Arquitetura de Lisboa > Vários locais de Lisboa > até 11 dez > www.trienaldelisboa.com/theformofform