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Mas, afinal, o que são 'phosphenes'?

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Instalação de Luís Pedro Crisóstomo reúne esquissos de arquitetos portugueses num diálogo visual desafiante e provocador. Pensamentos, vivências, sonhos e experiências esboçadas por Siza Vieira, Gonçalo Byrne ou Raúl Hestnes Ferreira, num primeiro registo “à mão levantada”. Para ver no Museu Nacional de Soares dos Reis, no Porto, até 31 de outubro

A exposição My Own Private Phosphenes – Patrimónios Imaginados ocupa a Sala das Pedras do Museu Nacional de Soares dos Reis

A exposição My Own Private Phosphenes – Patrimónios Imaginados ocupa a Sala das Pedras do Museu Nacional de Soares dos Reis

O esquisso é a forma mais rápida e intuitiva do arquiteto mostrar uma ideia. E quase todos os projetos começam assim, com um primeiro traço, mais ou menos elaborado. Para mostrar a relevância dessa primeira linha no processo de trabalho, Luís Pedro Crisóstomo desafiou 21 arquitetos, entre eles, Siza Vieira, Gonçalo Byrne, Raúl Hestnes Ferreira e Marta Rocha, a desenhar “uma síntese de um pensamento escrito sobre o processo criativo”. Os esboços e as palavras dos arquitetos acomodam-se agora numa instalação, que mais parece um diálogo visual, desafiante e provocador, em My Own Private Phosphenes – Patrimónios Imaginados para ver Sala das Pedras, do Museu Nacional de Soares dos Reis, até dia 31.

Mas afinal o que são phosphenes? “É aquele momento em que fechamos os olhos para tentar lembrarmo-nos de alguma coisa ou pura e simplesmente esquecer tudo”, explica Luís Pedro Crisóstomo, arquiteto e curador. Na exposição eles assumem a forma de esquissos ou impressões desenhadas à mão, de forma rápida e intuitiva. É a primeiro traço do arquiteto, fruto de pensamentos, vivências, sonhos e experiências que nos levam a conhecer melhor o processo criativo de cada um dos 21 arquitetos.

Pedro Crisóstomo desafiou 21 arquitetos a mostrar a importância do esquisso no processo criativo

Pedro Crisóstomo desafiou 21 arquitetos a mostrar a importância do esquisso no processo criativo

Nesta exposição, organizada pela Secção Regional Norte da Ordem dos Arquitetos (OASRN) e que dá inicio ao mês da arquitetura, os esquissos não se exibem, aguardam serem descobertos por quem entra na Sala das Pedras. Alinhados em peças dispostas de forma aleatória, embora sempre à mesma distância umas das outras, os desenhos provocam uma interação entre o visitante, o esquisso e o autor. Para ver é preciso mexer. Embora fortalecidas por feixes de luz que marcam as linhas de composição dos desenhos, as peças de madeira parecem esculturas abstratas, fechadas à comunicação. Ou nem por isso. “Há sempre um certo desafio neste autismo da peça, algo dissonante para provocar”, explica Luís Pedro Crisóstomo.

Sempre em conformidade, texto e desenho surgem em linhas mais fortes e definidas, noutras mais limpas, mais geométricas, tendo sempre em comum a pureza do traço. Nesta segunda edição de My Own Private Phosphenes – Patrimónios Imaginados (a primeira aconteceu em 2015 no Mosteiro de Santa Clara-a-Velha, em Coimbra), mostra-se como cinco gerações de arquitetos constroem o seu mundo e o partilham com o visitante. “É uma partilha íntima entre quem vê e quem mostra, para o momento se perpetuar”, conclui.

My Own Private Phosphenes – Patrimónios Imaginados > Museu Nacional de Soares dos Reis > R. D. Manuel II, Porto > T. 22 339 3770 > até 31 out, ter-dom 10h-18h > grátis