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Robert Lubar Messeri: 'O destino da coleção Miró será sempre uma decisão política'

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Na opinião de Robert Lubar Messeri, comissário de Joan Miró: Materialidade e Metamorfose, que mostrará pela primeira vez as obras de Miró provenientes do defunto Banco Português de Negócios (BPN), o importante é que a coleção se mantenha tal como está e que as obras não se dispersem. A exposição – para ver na Casa de Serralves, no Porto, a partir do próximo dia 30 – é o tema de capa da edição desta semana da VISÃO Se7e, esta quinta-feira nas bancas

"Qualquer que seja o valor da coleção no mercado, é muito inferior à importância cultural que tem para Portugal", diz Robert Lubar Messeri

"Qualquer que seja o valor da coleção no mercado, é muito inferior à importância cultural que tem para Portugal", diz Robert Lubar Messeri

Rui Duarte Silva

Como é esta coleção?

É extraordinária. E é também uma coleção brilhante do ponto de vista pedagógico. Percorre obras de Miró de toda a sua carreira, desde o início, em 1924, até dois anos antes da sua morte, em 1983. Tem obras em papel, tapeçarias, esculturas, colagens e, por isso, é uma representação tão boa da carreira de Miró.

Acha que o valor da coleção é superior a 35 milhões de euros (valor mínimo fixado pela leiloeira Christie's)?

Não posso comentar o valor do mercado. Para si e para mim seria muito dinheiro, mas para os governos nacionais não faz diferença nenhuma. Temos que garantir o futuro da cultura em Portugal e, nessa medida, o valor da coleção para a cultura portuguesa não tem preço. Qualquer que seja o valor da coleção no mercado, é muito inferior à importância cultural que tem para Portugal. Para a cultura portuguesa, ter uma coleção representativa de um dos grandes artistas modernistas do século XX é uma oportunidade que não deve ser perdida.

Onde gostaria de a ver? Num museu nacional ou num sítio criado de raiz?

O meu interesse são as obras. O seu destino será sempre uma decisão política. E para onde quer que ela vá, o meu interesse será manter esta coleção reunida.

Como descreve Joan Miró?

Não o conheci pessoalmente. Esse é, aliás, um dos meus desgostos. Miró era um homem muito calmo, reservado, mas com um incrível poder interior. Era um homem espiritual. O que não significa que estivesse sentado na igreja… A sua espiritualidade tinha a ver com o facto de procurar ligações com muitas coisas e isso nota-se nas suas pinturas, especialmente nos últimos trabalhos. Explorou todas as técnicas que se possam imaginar. A forma como inovou e desenvolveu novas técnicas tinha a ver com a sua curiosidade. Era um homem curioso com o mundo.

Robert Lubar Messeri, especialista mundial da obra de Joan Miró, é professor de História de Arte na Universidade de Nova Iorque e diretor da cátedra Miró na Universidade Aberta da Catalunha

Robert Lubar Messeri, especialista mundial da obra de Joan Miró, é professor de História de Arte na Universidade de Nova Iorque e diretor da cátedra Miró na Universidade Aberta da Catalunha

Rui Duarte Silva