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Lisboa Soa: Os sons da cidade

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Um encontro de arte sonora e cultura auditiva que dá a escutar o mundo à nossa volta em concertos, “performances” e instalações

O italiano Marco Barotti apresenta pela primeira vez em Portugal a peça Swans – antenas parabólicas a flutuar num lago, recriando um bando de cisnes em movimento e em linha com a música, o vento e a água

O italiano Marco Barotti apresenta pela primeira vez em Portugal a peça Swans – antenas parabólicas a flutuar num lago, recriando um bando de cisnes em movimento e em linha com a música, o vento e a água

Ver com os ouvidos. É este o ponto de partida da primeira edição do Lisboa Soa, um encontro de arte sonora, urbanismo e cultura auditiva concebido pela investigadora Raquel Castro, que há muito se dedica ao estudo do som como parte essencial da identidade dos locais. Durante quatro dias, o cenário único do Jardim da Tapada das Necessidades será assim ocupado com diversas obras de arte sonoras, que irão desenhar um percurso, numa interação com a audiência, de modo a permitir uma reflexão sobre o ambiente acústico à nossa volta.

Ao mesmo tempo, na estufa, terão lugar algumas performances e concertos que, sob a mesma premissa, pretendem estabelecer um diálogo entre o público e os artistas com o espaço onde se encontram. Como acontecerá já esta quinta, 1, ao final da tarde, com a performance de abertura do festival, a cargo do holandês Allard van Hoorn, que irá transformar e amplificar sons da cidade como as buzinas dos barcos no rio ou o som dos carros e dos comboios na vizinha ponte sobre o Tejo, para serem interpretados por um grupo de bailarinos.

Na sexta, 2, é a vez do trio liderado pela americana Camille Norment surpreender o público, com uma formação constituída por guitarra elétrica, hardingfele (um instrumento norueguês semelhante ao violino) e uma rara harmónica em vidro, tocada pela própria. Em comum, todos estes instrumentos têm o facto de, em algum momento da história, terem sido proibidos, devido ao êxtase que provocavam em quem os ouvia. No sábado, 3, o músico português Rafael Toral irá deambular pelos jardins e caminhos da Tapada, explorando a “linguagem pós-free jazz” da sua “eletrónica abstrata”, numa total desconstrução do formato palco/plateia.

Para o último dia, domingo, 4, está reservada a escultura sonora Darkless, da autoria do artista e investigador português Rudolfo Quintas que, desde os anos 90, se dedica ao cruzamento entre a arte, o design, a tecnologia e a ciência. Trata-se de uma performance construída com base no exercício de trazer a luz a partir da escuridão, mas neste caso uma luz personificada pelo som e transformada pelo corpo.

Lisboa Soa > Jardim do Palácio das Necessidades, Lisboa > 1-4 set, qui-dom 10h > grátis