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Esta 'Estação Terminal' é uma viagem ao outro

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Madalena Victorino e Pedro Salvador enchem o Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa, de histórias de solidão. E, no final, fazem uma grande festa. Para ver até domingo, 22

Somos recebidos de braços abertos, apertos de mão e abraços no Teatro Nacional D. Maria II. Entramos no teatro e entramos na cidade, como quem chega à estação do Rossio. Lá dentro, como numa imensa gare, haverá solidões várias, espalhadas pelo hall, a varanda, o bar dos artistas, o salão nobre, a sala de provas e costura, o gabinete do diretor… Andaremos em trânsito por ali, a descobri-las, em grupo, numa viagem que nos leva por histórias que nasceram de outras histórias verdadeiras de solidão e medo, de doença, de crime e castigo, de desgosto e abandono, de saudades, de identidade e marginalidade – as das 70 pessoas que Madalena Victorino reuniu neste projeto, que junta atores, bailarinos, estudantes de teatro e homens e mulheres chegados aqui através de instituições, associações e projetos sociais (como o Largo Residências, que co-produz a peça). Estação Terminal é a terceira peça do tríptico Companhia Limitada, de Madalena Victorino e Pedro Salvador, que anteriormente levou espetáculos a casa de pessoas isoladas e chamou a atenção dos espectadores para recantos abandonados na cidade. “Tem sido um trabalho para humanizar e não para estigmatizar”, sublinha Madalena Victorino. Para isso servirá também o mercado negro que se instalará no salão nobre, com venda de frutos secos, ervas aromáticas e tecidos, e a festa final, no palco da sala Garrett, tentando tornar natural uma relação entre pessoas que, no dia-a-dia, não se cruzam ou até se evitam.

Estação Terminal > Teatro Nacional D. Maria II > Pç. D. Pedro IV, Lisboa > T. 800 213 250 > 12-22 mai, qui-dom 21h > €8