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Corpos em curto-circuito na nova coreografia de Vera Mantero

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Vera Mantero faz uma expurga em palco, na procura de um mundo mais sustentável. O Limpo e o Sujo estreia no ciclo As 3 Ecologias do Teatro Maria Matos esta sexta-feira, 1

Através da dança, Vera Mantero, Elizabete Francisca e Volmir Cordeiro expulsam os “fantasmas” do interior dos seus corpos como ponto de partida para uma maior sustentabilidade

Através da dança, Vera Mantero, Elizabete Francisca e Volmir Cordeiro expulsam os “fantasmas” do interior dos seus corpos como ponto de partida para uma maior sustentabilidade

João Tuna

São três os corpos que entram em palco e se posicionam debaixo de uma “nuvem” de cabos elétricos entrelaçados e suspensos do teto: os da coreógrafa Vera Mantero e dos bailarinos Elizabete Francisca e Volmir Cordeiro. Três corpos muito diferentes que se mexem ora sincronizados ora desencontrados, mas sempre com as mesmas frases coreográficas, em movimentos de expurga, de limpeza, de desabafo, com caretas de nojo e de susto, mas também de tranquilidade, por vezes.

O Limpo e o Sujo é a nova coreografia de Vera Mantero, em estreia no ciclo As 3 Ecologias que o Teatro Maria Matos organza até final de abril, a partir do ensaio Les Trois Écologies, do filósofo francês Félix Guattari. Foi também nesse texto que Mantero encontrou a ideia de “fazer a ecologia do fantasma” – e é isso que faz nesta peça: uma limpeza de tudo o que há no corpo, para depois se ser capaz de agir de forma diferente e construir um mundo mais sustentável. Já em 2014, no ciclo Mais Pra Menos Que Pra Mais, organizado com o Teatro Maria Matos e a Culturgest, a coreógrafa tinha tratado as questões da sustentabilidade, mas agora fá-lo olhando para o que tem que acontecer no interior de cada um de nós para que se consiga uma mudança de hábitos. “É um estado de coisas, uma experiência, uma tentativa de expurgar”, descreve Mantero. “Trabalhamos muito em torno da ideia de que temos no corpo um tubo central por onde os fantasmas sujos ou limpos têm que ser expulsos, para nos podermos organizar”, sublinha a bailarina Elizabete Francisca. “Estamos a lidar com forças que nos habitam e, às vezes, elas vão de um extremo ao outro. É como organizar os chakras para expor o que é nocivo”, acrescenta ainda Volmir Cordeiro.

Em palco, limpam-se as solas dos pés e a cara, desobstrui-se o nariz, exercitam-se músculos e levam-se até ao extremo movimentos que, imaginemos, cheguem à alma. Tudo sempre acompanhado de uma banda sonora intensa e diversa. “O som é quase como um quarto corpo ali presente”, considera João Bento, que criou a música para a coreografia e a executa em palco, ora puxando pelos bailarinos, ora indo atrás das suas energias. E depois há aquele emaranhado de cabos elétricos mesmo a chamar o curto-circuito que ali acontece.

O Limpo e o Sujo > Teatro Municipal Maria Matos > Av. Frei Miguel Contreiras, 52, Lisboa > T. 21 843 8800 > 1-3 abr, sex-sáb 21h30, dom 18h30 > €6 a €12