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'Echolalia': Da arte de bem traduzir

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Botânica, ilhas, exotismos, Cristovão Colombo e muito lost in translation – tudo isto está nas instalações de Ana Torfs no Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa

Ana Torfs

Ana Torfs, artista belga cujo trabalho é exposto pela primeira vez em Portugal, é uma espécie de tradutora-intérprete, que nos faz desconfiar de expressões como “fonte original”, ou “tradução à letra”. Tudo depende da perceção e da representação. Echolalia tem quatro instalações, inspiradas pelos novos mundos, por curiosidades etimológicas, por jogos de lingagem em que a artista associa, sobrepõe ou reorganiza imagens e informação – das esferas científica, erudita, histórica, literária – criando outras narrativas. Um cabinet de curiosités alternativo. A começar pelas imagens em loop de jardins exuberantes que enchem dois grandes ecrãs: um Éden narrado por alguém que descreve os sons das aves tropicais, os perfumes e flora exóticos. As palavras são de Cristovão Colombo, retiradas do diário onde o navegador registou as suas impressões de Cuba, os encontros com os indígenas ou o fato destes poderem ser bons escravos pois conseguiam repetir as palavras que lhes diziam... Uma tradutora gestual comunica esta fala de Colombo, em três ecrãs e três alfabetos (inglês, americano e internacional): as traduções são todas diferentes. Ecoam os equívocos, o lost in translation, desse encontro, patente no título da instalação: The Parrot and the Nightingale, a Phantasmagoria (“O Papagaio e o Rouxinol, uma Fantasmagoria”). Ana Torfs vai mais longe em Stain, inventando significados para corantes sintéticos, apresentados em caixas geométricas com elementos que apoiariam um pseudo-método científico. Em Family Plot, cria genealogias de 25 famílias de plantas, relacionando-as com os seus descobridores e com o mapa do mundo então conhecido; e em TXT, Engine of Wandering Words, aborda ingredientes-chave da história colonial e mercantilista em seis tapeçarias aos quadradinhos.

O misterioso termo echolalia refere-se tanto à repetição de palavras das crianças durante a aprendizagem da fala, como à condição médica que induz doentes com síndrome de Tourette ou com determinados tipos de esquizofrenia a repetirem palavras e frases das outras pessoas.

Ana Torfs

Echolalia > Centro de Arte Moderna > Fundação Calouste Gulbenkian > R. Dr. Nicolau Bettencourt > T. 21 782 3474/21 782 3483 > 11 mar-13 jun, qua-seg 10h-18h > €5