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Paratissima traz 2,5 quilómetros de arte contemporânea a Lisboa

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Será um longo percurso de arte contemporânea que, pela primeira vez, se instalará nas ruas de Lisboa. O Paratissima chega em julho e ocupa os bairros de Alfama, Mouraria e Castelo

Paratissima Lisboa

Abrir a porta de casa e encontrar uma instalação artística em que se é coautor. Esta será a sensação dos moradores de três bairros históricos de Lisboa, Alfama, Castelo e Mouraria, durante a primeira edição do Paratissima, projeto de arte contemporânea que irá criar um percurso urbano contínuo de 2,5 quilómetros de exposições artísticas, gratuitas, entre 20 e 24 de julho. A ideia é mesmo essa: estabelecer um diálogo entre os artistas, as comunidades e os territórios expositivos da Freguesia de Santa Maria Maior. A missão de integrar a arte contemporânea e o espaço urbano é assumida pelo EBANOCollective, responsável pela organização desta edição do Paratissima. O modelo vem de Turim, na Itália, onde o projeto foi criado, e chega agora a Lisboa pela mão da italiana Chiara Pussetti, antropóloga e fundadora do EBANOCollective, que aqui vive há 16 anos. "O Paratissima chega à sua décima segunda edição em Turim, na Itália, e à terceira, em Escópia, na Macedónia. O projeto possui uma visão democrática de expor arte contemporânea fora de espaços consagrados, como os museus", explica Chiara Pussetti, sublinhando a importância de associar a arte e as comunidades que recebem as exposições, e não apenas o ato de transformar o espaço urbano numa galeria. "Propomos aos artistas trabalhar as identidades da população, conhecer os contextos socioculturais de cada bairro e, assim, criarem obras inspiradas nestas etnografias, integrando arte, comunidade e território urbano", acrescenta.

As inscrições para os artistas que desejarem participar no projeto estão abertas até 30 de abril e podem ser feitas através do site do Paratissima, em seis áreas diferentes: fotografia, vídeo, artes visuais, artes plásticas, design e moda. Por se tratar de um modelo inclusivo e com uma curadoria colaborativa, não existe uma seleção e todos se podem inscrever, sejam artistas profissionais ou amadores. Os moradores serão convidados a participar, como espectadores, artesãos ou coautores das obras. "Queremos que as comunidades sejam protagonistas e dialoguem com os artistas, sendo fonte inspiradora numa interação dinâmica. Já existem instalações que irão ter a participação de moradores", conta Chiara Pussetti.

Até agora, 80% dos artistas inscritos são portugueses e, entre os estrangeiros, destacam-se os brasileiros e os italianos, mas o projeto também já recebeu propostas da Finlândia, por exemplo. A EBANOCollective tem promovido encontros, duas vezes por semana, com estes artistas para realizar um acompanhamento técnico, que inclui conhecer as realidades sociais e urbanísticas do percurso entre Alfama, Mouraria e Castelo. O Paratissima ainda tem o objetivo de estimular o empreendedorismo nos participantes que poderão comercializar as suas obras. "O projeto é uma oportunidade para os artistas já consagrados saírem dos espaços convencionais de exposição e também para dar visibilidade aos artistas emergentes", lembra a organizadora.

"O projeto parece ter sido pensado e criado para Lisboa, para esta freguesia, que tem as características favoráveis a este tipo de proposta. Posso dizer que foi amor à primeira vista. É uma iniciativa que vai movimentar os bairros e que vai incluir as comunidades", afirma Miguel Coelho, presidente da Junta de Freguesia de Santa Maria Maior, que está encarregue de promover o Paratissima. "Os investimentos não devem ultrapassar os 60 mil euros, iremos contar com várias entidades parceiras, o que acabará num custo simbólico para a Junta", diz.

Sendo Alfama, Mouraria e Castelo da mesma freguesia, mas possuindo identidades e contextos socioculturais diferentes, o Paratissima desafiou os artistas a trabalharem com essas diferenças e a atrairem aqueles que se sentem distantes da arte contemporânea. Chiara Pussetti avisa que os lisboetas se irão surpreender com o percurso urbano escolhido, por incluir lugares pouco conhecidos, revelando o coração histórico da cidade sob uma perspectiva artística e dos seus moradores.