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A dança literária de Victor Hugo Pontes

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O texto dramático de Tchékhov A Gaivota é transformado por Victor Hugo Pontes no espetáculo Se Alguma Vez Precisares da Minha Vida, Vem e Toma-a. Para ver esta sexta, 26, e sábado, 27, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, e na próxima semana em Almada

José Caldeira

O elenco de Se Alguma Vez Precisares da Minha Vida, Vem e Toma-a foi escolhido à medida pelo coreógrafo Victor Hugo Pontes, tendo em conta a faixa etária e as caraterísticas dos intérpretes. Todos eles – os bailarinos Allan Falieri, Ángela Diaz Quintela, Daniela Cruz, Leonor Keil, Marco da Silva Ferreira, Felix Lozano, Valter Fernandes, Vera Santos e o próprio Victor Hugo Pontes, e ainda o ator veterano Jorge Mota, num papel memorável nestas lides da dança – começaram por ler A Gaivota, de Tchékhov, e por estudar profundamente as falas da personagem que lhe tinha sido atribuída, até conseguirem improvisar a partir da estrutura narrativa da peça, como se de um libreto se tratasse. O que se vê em Se Alguma Vez Precisares da Minha Vida, Vem e Toma-a permite identificar Nina, Treplev, Arkádina, Trigorin, Masha e os outros protagonistas criados por Tchékhov, além do esqueleto dos quatro atos. Não de uma forma linear, sentindo-se antes o pulsar dos dois grandes temas, o amor e a arte, no processo de depuração e de abstração conduzido por coreógrafo Victor Hugo Pontes.

A vontade de partir de um texto dramático para uma coreografia vem do tempo em que o coreógrafo trabalhou como assistente de encenação de Nuno Cardoso, inclusive numa versão de A Gaivota levada à cena há seis anos no Teatro Nacional São João (do autor russo, também colaborariam na adaptação de Platónov e Três Irmãs). Uma abordagem completamente distinta da que chega esta sexta e sábado, 26 e 27, ao Centro Cultural de Belém, em Lisboa, após a estreia no festival GUIdance, em Guimarães. Num cenário inclinado, que é já marca do coreógrafo, espelha-se a força emocional das personagens e os conflitos dramáticos trabalhados por Tchékhov, libertados das palavras.

José Caldeira

Centro Cultural de Belém > Pç. do Império, Lisboa > T. 21 361 2400 > 26-27 fev, sex-sáb 21h, dom 16h > €12,50 a €15

Teatro Municipal Joaquim Benite > Av. Professor Egas Moniz, Almada > T. 21 273 9360 > 4 mar, sex 21h30 > €7,50 a €10