Visão Sete

Siga-nos nas redes

Perfil

O legado tóxico de Michael Jackson no documentário "Leaving Neverland"

TV

Demasiado gráfico, brutal, explícito. As críticas são também a força deste documentário que traz evidências de atos de pedofilia. Leaving Neverland fica disponível na plataforma de streaming HBO a partir desta sexta, 8

Rosa Ruela

Rosa Ruela

Jornalista

Wade Robson tinha 7 anos quando conheceu o cantor, num concurso de dança, e James Safechuck entrara num anúncio da Pepsi, aos 10. Ambos se sentiram especiais aos olhos de Michael Jackson, tanto que o primeiro iria mentir em sua defesa, num julgamento, em 2005

Wade Robson tinha 7 anos quando conheceu o cantor, num concurso de dança, e James Safechuck entrara num anúncio da Pepsi, aos 10. Ambos se sentiram especiais aos olhos de Michael Jackson, tanto que o primeiro iria mentir em sua defesa, num julgamento, em 2005

D.R.

Um mês depois de se estrear no Festival de Cinema de Sundance, onde naturalmente incomodou muito boa gente, Leaving Neverland chega sem medos ao pequeno-cada-vez-maior-ecrã, pela mão da HBO. As verdades são duras de se ouvir, mas também são para se dizer, terão pensado os responsáveis desta plataforma de streaming, ao decidirem exibir o documentário que conta a história de dois homens – Wade Robson e James Safechuck –, que em meninos terão sido vítimas de abuso sexual por parte de Michael Jackson.

O filme não é sobre o cantor, já disse ao HuffPost o realizador, Dan Reed (também autor de The Pedophile Hunter e Frontline Fighting: Battling ISIS), que continua a vê-lo como “um grande entertainer”, mas sim sobre a sua alegada “carreira” de pedófilo. E é a primeira vez que sobreviventes da “amizade especial” do Peter Pan da pop contam em público o que terá acontecido no final dos anos 80, no rancho Neverland, a 200 quilómetros de Los Angeles. Partilhar a sua cama não seria um gesto inocente, como acreditavam as mães dos miúdos – envolveria beijos, pornografia, masturbação e sexo oral.

Ainda antes de Leaving Neverland ter passado por Sundance, a família Jackson acusou Reed de estar a promover um “linchamento público”. O realizador defende-se. Não considera o documentário obsceno nem excitantes as descrições feitas pelas vítimas, agora nos seus trintas. “O meu trabalho de pesquisa foi zeloso e completo”, afirmou, na mesma entrevista, “e nunca encontrei nada que me levasse a duvidar de Wade ou James.” Tinha de ficar claro que não se tratou de uma intimidade afetuosa, que não foi um beijo na boca ou dormir em conchinha. “Foi sexo”, acredita. E, quando os dois atingiram a puberdade, foram trocados por miúdos mais novos.

Leaving Neverland > Estreia 8 mar, sex