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Lembranças da infância no (aguardado) filme "Roma", de Alfonso Cuarón. Para ver na Netflix

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O realizador mexicano Alfonso Cuarón expõe as suas cicatrizes a preto-e-branco, num filme biográfico a caminho dos Oscars. Roma está disponível na Netflix a partir desta sexta-feira, 14

Rodado em 108 dias, Roma foi filmado por ordem cronológica, em contínuo e de maneira improvisada

Rodado em 108 dias, Roma foi filmado por ordem cronológica, em contínuo e de maneira improvisada

Carlos Somonte

Foi a partir das memórias guardadas que Alfonso Cuarón trabalhou Roma, o seu projeto mais pessoal até hoje. Memórias de um tempo e de um lugar que já não existem mas que o realizador mexicano de 57 anos fez questão de recuperar, após vários anos de conversas com aquela que foi sua ama, uma mulher de Oaxaca chamada Liboria Libo Rodríguez, a quem Cuarón dedica o filme. Aliás, “a memória é o narrador implícito”, argumenta o cineasta à IndieWire. Roma passa-se entre 1970 e 1971, quando Cuarón tinha 9 anos e viveu um período que não foi dos mais felizes da sua vida. A narrativa segue Cleo – interpretada por Yalitza Aparicio, que, como a maioria do elenco, não é uma atriz profissional –, jovem empregada doméstica de uma família de classe média no bairro Roma, na Cidade do México. A sua devoção aos patrões durante a própria crise conjugal sobrepõe-se a todos os problemas pessoais e à agitação social na cidade. “Na verdade, é a história de um dos seres humanos que mais amo. Uma das mulheres que me criaram”, salientou o realizador à agência Reuters.

Rodado em 108 dias, Roma foi filmado por ordem cronológica, em contínuo e de maneira improvisada. Sem partilhar o argumento com quase ninguém, Cuarón tinha conversas individuais com os membros do elenco. “Permiti que cada cena fosse tão longa quanto o que parecia certo. Nunca dei instruções aos atores como um grupo, mas separadamente, e a maioria dessas indicações era contraditória. Queria acidentes.” Para conseguir replicar as suas memórias, o realizador recolheu adereços autênticos entre familiares, e os cenários e os intérpretes “reproduzem” os ambientes e as pessoas, numa Cidade do México reconstruída.

Em Portugal, o filme estreou-se também no cinema, mas de fora ficaram as grandes distribuidoras. Roma, de Alfonso Cuáron, está em exibição em apenas 7 salas (Cinema Monumental, Lisboa; Cinema Ideal, Lisboa; Cinema Charlot, Setúbal; Atlântida Cine, Carcavelos; Cinema da Vila, Cascais; Cinema Trindade, Porto; Cinemax, Penafiel).

Veja aqui o trailer do filme

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