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‘Vidas Suspensas' de volta à SIC com testemunhos que são ‘atos de coragem’

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Neste programa de televisão conhecem-se histórias de pessoas cujas vidas foram interrompidas pela Justiça. Nos novos episódios de Vidas Suspensas, com estreia nesta terça-feira, 16, na SIC, a jornalista Sofia Pinto Coelho pede que cada um de nós faça apenas uma coisa: ouvir

A jornalista Sofia Pinto Coelho dá voz a pessoas cujas vidas foram interrompidas pela Justiça

A jornalista Sofia Pinto Coelho dá voz a pessoas cujas vidas foram interrompidas pela Justiça

Rui Vasco

Vidas Suspensas é apenas um programa de televisão. Sofia Pinto Coelho não tem nenhuma varinha mágica para resolver os problemas com a Justiça portuguesa. Apenas quer ouvi-las. Não lhes pode prometer nada.

Os casos desta segunda série são os de pessoas que abordaram a jornalista da SIC na sequência da primeira temporada que, há um ano e meio, apresentou uma dezena de pessoas que se sentiam mal tratadas pelos tribunais. “A Justiça está mais atenta, mais empenhada, e nalguns setores até está mais eficaz, só que ainda pode ser muito formalista”, analisa Sofia Pinto Coelho. Para a jornalista, especializada em assuntos judiciais, os tribunais não são melhores nem piores do que as escolas, os hospitais e demais instituições públicas e até privadas. “A única grande diferença é que na Justiça não se pode ir para uma Justiça privada, como se faz com a Saúde ou a Educação.”

Os primeiros dois episódios, de um total de oito, contam a história de um Amor Cego, vivido por Francisco d’Eça Leal, jovem que casou com a cantora Maria Leal (conhecida pelas suas participações em reality shows televisivos e na Internet). Em três anos de casamento viu a sua fortuna, avaliada em mais de um milhão de euros, fugir-lhe das mãos. Mais de 500 mil euros em dinheiro, quatro apartamentos em Campo de Ourique, em Lisboa, além do recheio das casas e do vasto espólio artístico do pai, Paulo Guilherme d’Eça Leal. Da herança resta-lhe o apartamento onde mora sozinho com o apoio da mãe e da Santa Casa da Misericórdia. Todos os outros bens foram gastos durante os primeiros anos de casamento. Na queixa-crime apresentada contra a mulher, a par de um processo de divórcio que ainda decorre, Francisco acusa Maria Leal de ter-se aproveitado da sua situação de dependência e de fragilidade emocional para vender o património.

Mas esta não é a única história impressionante. A de um homem que vive clandestino há 18 anos, sem documentos, não deixará ninguém indiferente. Na sequência de uma saída precária da cadeia, fugiu mas quando quis fazer uma espécie de reset à sua vida de toxicodependência nem conseguia saber quantos processos tinha pendentes ou quantos anos faltavam cumprir. Este será um testemunho desesperado e com rosto, literalmente. Sem nenhum tipo de distorções.

Em tempos de hashtag MeToo, Sofia Pinto Coelho também selecionou um caso de assédio sexual de uma mulher contra o seu superior hierárquico. A jornalista continua a gostar muito de ouvir as pessoas. “O facto de serem ouvidas, de terem a sensação que desabafam perante um jornalista e depois perante o país já é um grande consolo. Todas as pessoas que têm um problema gostam de ser ouvidas.”

No final desta segunda série serão revelados os feedbacks positivos de vários casos que se resolveram após a transmissão da primeira série. Só isso, já são boas notícias.

Os primeiros dois episódios contam a história de um “Amor Cego”, vivido por Francisco d’Eça Leal, jovem que casou com a cantora Maria Leal

Os primeiros dois episódios contam a história de um “Amor Cego”, vivido por Francisco d’Eça Leal, jovem que casou com a cantora Maria Leal

Rui Vasco

Vidas Suspensas > SIC > Estreia 16 out, ter 21h (dentro do Jornal da Noite)