Visão Sete

Siga-nos nas redes

Perfil

Submissão e revolta na segunda temporada de "The Handmaid’s Tale"

TV

Os novos episódios desta série perturbadora chegam esta quinta, 26, ao NOS Play

Embora a série seja baseada no livro de Margaret Atwood, o final aberto desta obra coincidiu com o que assistimos no último episódio da primeira temporada. O guião da segunda foi, portanto, escrito sem rede, mas com a colaboração da escritora canadiana

Embora a série seja baseada no livro de Margaret Atwood, o final aberto desta obra coincidiu com o que assistimos no último episódio da primeira temporada. O guião da segunda foi, portanto, escrito sem rede, mas com a colaboração da escritora canadiana

A escritora canadiana Margaret Atwood, autora do livro 
The Handmaid’s Tale, publicado 
em 1985, viu a primeira temporada 
da série e confessou-se incomodada. Sobre uma cena com particular intensidade psicológica, a escritora comentou: “Acho isto horrivelmente perturbador.” Não são críticas, entenda-se, são elogios. Porque levar para o ecrã uma história sobre um mundo que nos deixa apavorados não é assim tão fácil; cada murro no estômago, cada desconforto ou repugnância pelo que estamos a ver traduz uma cena bem sucedida. Porque nos identificamos com um enredo que, aparentemente, nada tem que ver com o nosso mundo? Estamos a falar de uma história que sucede nos Estados Unidos da América, país transformado numa sociedade totalitária, governada por um regime militar 
e altamente devoto. As poucas mulheres férteis que existem (porque uma das consequências 
da destruição ambiental são taxas de fertilidade baixíssimas) são separadas das famílias 
e colocadas como servas nas casas dos comandantes militares. Na presença das mulheres destes, são violadas repetidamente para que lhes possam dar filhos. Praised be. De volta ao lar, à submissão, sejam servas ou senhoras, as mulheres serão sempre, ali, um objeto utilitário.

Para além de Elizabeth Moss, a série conta com Alexis Bledel

Para além de Elizabeth Moss, a série conta com Alexis Bledel

Protagonizada pela atriz Elisabeth Moss 
(a “Peggy” da série Mad Men), The Handmaid’s Tale é uma produção do site de serviços de streaming Hulu. Em 2017, ganhou seis Emmys, incluindo os de Melhor Série Dramática e de Melhor Atriz em Série Dramática. O final do livro de Atwood é aberto: June, a personagem principal, está grávida e é levada para dentro de uma carrinha dos sinistros “polícias do regime”. Se escapou ou não, cabe ao leitor decidir. 
E é exatamente assim que termina a primeira temporada. Portanto, esta segunda que vai estrear é território desconhecido, não existe um livro para nos guiar. Vamos com June, levados pelo seu medo e pela sua revolta. Mergulhamos naquele extremismo, num temor de o sentir real, a crueza da falta de humanidade a contrastar com a riqueza dos cenários e dos figurinos… 
Uma fotografia belíssima para transmitir a repulsa. E o pior de tudo: a maternidade associada ao horror.

The Handmaid’s > Estreia 26 abr, qui (2 episódios) > todas as quintas-feiras um novo episódio