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'The Handmaid’s Tale': Este mundo que é o nosso

TV

Chega à televisão a série que arrecadou os principais Emmys deste ano. Uma distopia aterradora que germina no meio de nós. The Handmaid’s Tale estreia-se esta segunda-feira, 18, no Nos Play, que estará em canal aberto até 3 de janeiro

Um mundo totalitário, militarizado e fanático, onde as mulheres voltam para dentro de casa

Um mundo totalitário, militarizado e fanático, onde as mulheres voltam para dentro de casa

George Kraychyk

No início achamos estranha a forma daquela gente se cumprimentar, a conversa de ocasião feita de expressões como “praised be” (abençoado seja) ou “under his eye” (sob o seu olhar). A tentação de catalogar o que está à nossa frente é grande. The Handmaid’s Tale será, à primeira vista, uma série futurista, passada numa sociedade altamente devota e autoritária, supervigiada, um mundo distante, tão longe de nós… Ou talvez não tão longe assim. Começa a cheirar a bafio à medida que vamos tropeçando num diálogo ou num pormenor da história que nos faz lembrar uma frase ou um pequeno acontecimento deste nosso mundo real, deste presente que, afinal, contém em si as sementes daquela distopia.

Esta ligação que vamos fazendo, à medida que os episódios se sucedem, entre a sociedade totalitária de The Handmaid’s Tale – cuja ação se desenrola nos Estados Unidos da América – e aquilo que é a América hoje (e a “nossa” Europa?), os focos do extremismo que vemos a surgir aqui e ali… são esses elos entre a vida real e aquele mundo que nos deixam apavorados. E o medo de June, a protagonista interpretada pela magnífica Elisabeth Moss (mais conhecida pela sua participação na série Mad Men), passa a ser o nosso medo. June é uma mulher fértil, que deu à luz uma criança saudável, algo já raro neste futuro com taxas de fertilidade baixíssimas. As mulheres férteis são separadas das suas famílias, treinadas e colocadas como servas (as Handmaid) nas casas dos comandantes do regime militar. São por estes violadas – em rituais que contam com a presença das esposas inférteis – para que lhes possam dar filhos. Nesta sociedade fanática, as mulheres voltam ao papel que tiveram durante séculos: submissas num mundo patriarcal, não interessa se são servas ou senhoras. Mas há sempre quem tente resistir.

Com uma fotografia belíssima, The Handmaid’s Tale ganhou seis Emmys em 2017, incluindo os de Melhor Série Dramática e de Melhor Atriz em Série Dramática. O enredo baseia-se no romance da escritora canadiana Margaret Atwood, publicado em 1985. A primeira temporada estreou em abril deste ano, no site de serviços de streaming Hulu. Chega agora à televisão portuguesa através do Nos Play, um serviço por subscrição, mas que estará aberto entre 15 de dezembro e 3 de janeiro.

The Handmaid’s Tale > estreia 18 dez, seg