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Lisboa debaixo de água: a RTP1 recorda as cheias de 1967 no documentário 'O Tempo Que Faz'

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A RTP1 faz uma viagem à madrugada de 25 de novembro de 1967, quando, em Lisboa, a chuva ultrapassou todos os limites, matando mais de 500 pessoas. O documentário O Tempo Que Faz é transmitido esta sexta-feira, 24, à noite

Foi nos arrabaldes mais pobres de Lisboa que foram contabilizados mais estragos, vítimas e mortos durante as cheias de 1967

Foi nos arrabaldes mais pobres de Lisboa que foram contabilizados mais estragos, vítimas e mortos durante as cheias de 1967

Terrence Spencer

Há 50 anos o Estado falhou, tal como voltou a falhar neste verão quente de 2017. Se hoje 75% do território nacional está em seca, na madrugada daquele sábado, 25 de novembro de 1967, a chuva chegou a um quinto do que choveu no ano todo. Foi nos arrabaldes mais pobres de Lisboa que foram contabilizados mais estragos, vítimas e mortos. Os habitantes de Alenquer, Castanheira do Ribatejo, Vila Franca de Xira, Odivelas, Benfica, Olival de Basto, Póvoa de Santo Adrião viram as suas casas engolidas por uma inundação brutal.

O documentário O Tempo Que Faz parte das reportagens dos jornais e das imagens da televisão para mostrar um Portugal a morar em barracas, junto aos rios e às ribeiras, sem qualquer tipo de saneamento. “É isso que aquelas cheias revelam. Repare-se: o sítio onde choveu mais foi no Estoril e não foi claramente onde houve mais vítimas. É o fenómeno do crescimento da periferia urbana de Lisboa em habitações precárias e, subitamente, fica exposta a forma como milhares de portugueses viviam”, relembra Helena Matos, jornalista e autora do documentário.

Noticiada na época, a explosão no forte militar do Carrascal, em Carnaxide, é agora destacada com documentos militares até agora desconhecidos e confidenciais sobre a explosão na manhã de dia 26, depois de a água entrar em contacto com explosivos. Na imprensa a Censura fazia-se notar. “As cheias foram uma catástrofe de uma tal dimensão que a Censura não conseguiu intervir nos primeiros dias, é ultrapassada pelas circunstâncias. Os jornais fizeram duas e três edições, os repórteres estavam lá”, nota Helena Matos. A contabilidade do Estado Novo parou aos 462 mortos, mas a dos jornalistas chegava aos 700. A capa de O Século Ilustrado – com fotografia dos funerais de duas crianças – foi substituída. Felizmente, alguma coisa mudou nestes 50 anos.

Realizado por Patrícia Sequeira, O Tempo Que Faz integra depoimentos do presidente da Câmara Municipal de Alenquer da época, de um militar do quartel de Paço de Arcos, da jornalista Alice Vieira e de Maria João Luís. A atriz relata, nomeadamente, como, na aldeia de Quintas, a sua família perdeu 30 pessoas e, mesmo assim, se reergueu.

O Tempo Que Faz > 24 nov, sex 21h45