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A RTP2 mostra-nos África sem exotismo

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Treze produções realizadas nos países de língua portuguesa fazem-nos pensar sobre vivências muito diferentes das nossas. Os documentários e telefilmes resultantes do Programa CPLP Audiovisuais começam agora a passar nas noites de domingo da RTP2

A Casa, de Rui Simões, recupera testemunhos dos sobreviventes da Casa dos Estudantes do Império

A Casa, de Rui Simões, recupera testemunhos dos sobreviventes da Casa dos Estudantes do Império

Por estes dias, todos os canais públicos de televisão dos nove países de língua portuguesa estarão a emitir vários documentários e telefilmes resultantes do Programa CPLP Audiovisuais. As obras selecionadas por um júri, entre 180 projetos apresentados nos concursos DOCTV e FICTV, em 2015, podem agora ser vistas aos domingos, na RTP2. “São relatos da nossa relação com África ou, se quisermos, sobre as tradições africanas ou a coragem dos africanos pela luta da sua liberdade e independência”, explica Teresa Paixão, diretora do canal. Pegar numa obra literária de autores dos seus países era um dos requisitos. 
“A literatura está sempre ligada ao cinema e vice-versa. Vamos ver ambientes africanos inesperados, pelo menos para os portugueses que nunca foram a África. Mas não é exótico, é só diferente. São filmes que nos põem a pensar sobre vivências muito díspares da nossa”, continua.

Cabe à atriz Isabél Zuaa acrescentar alguma informação sobre o realizador e a sua obra, logo no início do programa. De Angola chega 
O Calvário de Joceline, uma realização de Ngouabi Silva, baseada na obra homónima de Lito Silva sobre os aspetos chocantes do sistema judicial angolano (14 mai, dom 00h10). Em Do Outro Lado do Mundo, uma ideia original de Ever Miranda, realizada por Rui Sérgio Afonso, fala-se dos angolanos que viajam para a China, nascendo aí novas histórias de amor (28 maio).

O telefilme português O Dia em que as Cartas Pararam, com argumento e realização da cineasta Cláudia Clemente, regressa ao Maio de 68, em Paris e no Porto, para contar o amor impossível entre um agente da PIDE e uma jovem da oposição 
(21 maio). O documentário A Casa, de Rui Simões, recupera testemunhos dos sobreviventes da Casa dos Estudantes do Império, ao mesmo tempo que vai beber à ficção A Geração da Utopia, de Pepetela (9 julho). “Para juntar as pessoas, era preciso fazer um baile” foi a frase que marcou a diretora da RTP2 neste filme. “Na tragédia há sempre um momento em que precisamos de nos juntar na alegria, pois ninguém vai lutar pela liberdade em depressão”, nota.

Para o financiamento das 13 obras, o ICA – Instituto do Cinema e do Audiovisual e o Ministério da Cultura do Brasil angariaram €450 mil para nove documentários e €600 mil para quatro telefilmes.

Programa CPLP Audiovisuais > RTP2 > até 23 jul, aos domingos depois da meia-noite