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'Vidago Palace': Era uma vez, no verão de 1936

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A nova série de época da RTP1 vive de um amor impossível e da luta de classes, numa Europa a fervilhar e num Portugal amordaçado. Vidago Palace estreia-se esta quinta-feira, 30

Ao hotel de luxo Vidago Palace, perto da fronteira espanhola, chegavam aristocratas e burgueses endinheirados. A nova série da RTP1 recupera esse ambiente

Ao hotel de luxo Vidago Palace, perto da fronteira espanhola, chegavam aristocratas e burgueses endinheirados. A nova série da RTP1 recupera esse ambiente

Vicky Gonzalez

É o tempo das grafonolas e das telefonias, das senhoras de luvas, chapéu, pérolas e leque, enquanto os homens usam o bigode delineado à Clark Gable. Perto da fronteira espanhola fica o Vidago Palace, hotel de luxo onde aristocratas e burgueses endinheirados querem ir passar uns dias. É preciso ver e ser visto. Em agosto de 1936, o campo de golfe do Vidago, desenhado pelo arquiteto escocês Philip Mackenzie Ross, tinha acabado de ser inaugurado pelo Presidente Óscar Carmona; começavam também os Jogos Olímpicos de Berlim, com Hitler a fazer a apologia do nazismo num ambiente de pré-guerra; e em Espanha já se respirava guerra civil.

Enquanto a Europa fervilhava, em Portugal Salazar tinha criado a Mocidade Portuguesa. Esta diversidade de acontecimentos não podia ter sido mais inspiradora para o realizador Henrique Oliveira, de quem também é a ideia original e o argumento. “Quando estava a começar a escrever, estas descobertas foram um momento mágico”, confessa. As histórias de infância da sua mulher, que sempre passou temporadas com os avós no Vidago Palace, há vários anos que andavam a ser cozinhadas na sua cabeça.

Aos factos históricos, Henrique Oliveira juntou um belo romance, sem esquecer a luta de classes. Sobre a protagonista, a atriz Mikaela Lupu, Henrique Oliveira não hesita em dizer: “Nasceu uma estrela.” Ela é Carlota, que, estando noiva de César Augusto (Pedro Barroso), ama em segredo Pedro (David Seijo), filho do rececionista, que tem tanto de galego como de português e vai para Espanha lutar na Frente Popular. Pelo meio passeiam-se as manas Perliquitetes (Maria Henrique e Custódia Gallego), umas solteironas coscuvilheiras que terminam as frases uma da outra. Uma história em seis episódios, com um “final épico”, promete o autor.

As próximas séries históricas da RTP terão temas diversos: o século XVIII português; Snu Abecassis, Natália Correia e Vera Lagoa, três mulheres dos anos 60; a pesca do bacalhau nos anos 30; a Guerra Colonial; e as presidenciais portuguesas de 1986.

Vidago Palace > RTP1 > estreia 30 mar, qui 21h