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'24: Legacy': A história está de volta, mas nada fica na mesma

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Protagonista absolutamente diferente, outras personagens, 12 episódios. Em Legacy, só se mantêm a ação em tempo real e o terrorista Tony Almeida, que fazem a ponte com a versão original de 24. A nova série estreia esta segunda-feira, 6, na FOX

Se é Jack Bauer que procura em Legacy, saiba que em seu lugar está Eric Carter, desempenhado, não por acaso, pelo ator afro-americano Corey Hawkins. A ação, centrada no CTU, continua a ser em tempo real

Se é Jack Bauer que procura em Legacy, saiba que em seu lugar está Eric Carter, desempenhado, não por acaso, pelo ator afro-americano Corey Hawkins. A ação, centrada no CTU, continua a ser em tempo real

Por estes dias, os portugueses, aqueles que seguiam 24, hora a hora, estarão a contar os minutos para o seu regresso à FOX, sete anos depois, já na próxima segunda-feira, 6. Por estes dias, fiquem agora a saber, um dos seus principais produtores andará por aí, entre Lisboa e Sintra, a comemorar as bodas de prata. Foi ele mesmo, Howard Gordon, 55 anos, que nos disse, quando o entrevistámos num elegante hotel de Madrid. Lá fora, o sol de inverno acalmava as temperaturas que teimavam em descer quase a zero graus. Mas, no quarto improvisado para que os jornalistas pudessem saber tudo sobre a nova série que aí vem – chamam-lhe um spin off, mas na verdade não o é no sentido literal do termo –, Howard recebeu-nos de pullover verde e com muita elegância.

A nova série 24: Legacy, diz, é sobre o que significa ser americano, e não será um acaso o seu novo protagonista Eric Carter (Corey Hawkins) ter a pele escura. “Vivemos numa época em que ser negro nos Estados Unidos da América é... desafiante, para usar a mais suave das palavras”, nota. Daí, a produção ter escolhido um herói que não fosse branco, um patriota que, apesar das dificuldades por que passa, ainda quer defender o seu país. Trata-se também de um novato na sua profissão (um soldado, não um agente, educado como um espião) e vida pessoal. Corey substitui agora o mítico Kiefer Sutherland (Jack Bauer), que passa de ator principal a produtor executivo. Foi ele, aliás, quem deu a bênção a Howard, e aos outros produtores com quem trabalhou (Brian Gazer, Manny Coto e Evan Katz), para este segundo capítulo da história da série que inaugurou a ação em tempo real na televisão (cada episódio demorava uma hora, era fechado, com princípio, meio e fim, e acompanhava exatamente o mesmo tempo da ação).

Em Legacy mantém-se este formato de escrever a trama. Mas, como são só 12 episódios, há uma altura em que assistiremos a um salto de 12 horas para a frente, explica Howard Gordon. Se houver segunda temporada, quem sabe se Jack Bauer não dá um ar da sua graça a esta nova versão? Por agora, nada é certo, porque ainda nem está fechada a escrita da primeira leva de episódios.

Esta onda nostálgica, que tem trazido de volta muitas séries que já se julgavam enterradas (Ficheiros Secretos, por exemplo, que também são da sua responsabilidade), revela-se um pau de dois bicos. “Pode ser interessante explorar de novo as personagens, mas corre-se o risco de a série se tornar naquele convidado que nunca mais se vai embora lá de casa ou naquela banda que volta a reunir-se e que mais valia estar calada. Às tantas, está-se apenas a explorar a nostalgia em vez de se contar uma história porque ela merece ser contada.”

O produtor está seguro de que os fãs de 24 se vão sentir em casa e que, ouro sobre azul, Legacy ainda conseguirá arregimentar mais umas pessoas para a audiência. Percebe-se porque pensa assim: a série volta a ser uma corrida contrarrelógio para evitar um ataque terrorista na América. Um tema bastante atual, a que Howard Gordon regressa com frequência (também em Homeland, neste momento em exibição na FOX). Algumas vezes, parece-lhe até que a realidade supera a sua ficção: “É estranho. O mundo tornou-se tão louco que agora tenho medo que o que imaginamos se torne realidade e que a ficção pareça pitoresca.”

Há também as eleições americanas, que entram frequentemente nas suas histórias, por considerar que a política é, invariavelmente, uma realidade feia e suficientemente rica para o inspirar. Mas isso não protegeu Howard da desorientação, quando viu Donald Trump subir ao poder poucos dias antes de nos encontrarmos em Madrid. “Agora, as coisas tornaram-
-se mesmo mais feias, especialmente com a degradação das instituições. Neste momento, há uma guerra aberta com a Imprensa e isso é muito assustador e põe em causa a Democracia.” Veremos se conseguirá tratar esse assunto numa próxima série.

O enredo de 24: Legacy centra-se no sargento Eric Carter, que seis meses antes de a ação começar matou um líder terrorista no Iémen. Agora, os seguidores de Bin-Khalid vêm aos EUA procurar vingança e põem em risco a segurança de Carter, da sua família e equipa. Para prevenir eventuais ataques, o sargento recruta então a sua ex-parceira Rebecca Ingram, uma agente especial que deixara a CTU (Unidade Contra-Terrorismo) para apoiar a candidatura do seu marido à presidência do país.

24: Legacy > a partir 6 fev, seg 22h15