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Três tintos de Palmela a Silves

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A crónica semanal do especialista da VISÃo, José António Salvador

Entre Palmela e Silves aqui deixamos inscritos três tintos dignos de atenção pela sua qualidade superior. Comecemos por Palmela.

Damasceno Regional Península de Setúbal 2011 ****/*** (Muito Bom/Excecional) - €9,99

Um tinto da autoria do enólogo Nuno Cancela de Abreu com 80% de Syrah e 20% de Cabernet Sauvignon. De cor violeta, com estrutura para prolongar o estágio em garrafa. Passou parcialmente por barricas de carvalho francês e surge harmonioso nos seus 14% vol. álcool.

 

Domingos Damasceno de Carvalho Regional Península de Setúbal 2010 **** (Muito Bom) - €9,99

As mesmas castas da colheita acima referenciada, o mesmo grau alcoólico, mas pressentindo-se já a sua evolução. Continua muito bom. E se Setúbal é hoje uma região de sucesso vitivinícola, o Algarve parece querer regressar à rota do vinho.

Quem visitar o site Vinhos do Algarve/Comissão Vitivinícola do Algarve apercebe-se que nos últimos anos se têm multiplicado os produtores/agentes económicos de vinho neste território. As várias adegas cooperativas existentes no século passado, estão agora reunidas numa "Única, Adega Cooperativa do Algarve", com sede em Lagoa.

Em contrapartida surgiram novos produtores portugueses e estrangeiros que se fixaram na região, onde a vinha deverá estender-se na atualidade por cerca de dois mil hectares, quando em 1985 atingia os 5 mil. No início deste século XXI, Joaquim Lopes, engenheiro técnico agrário, proprietário da Quinta do Outeiro, situada em Silves, decidiu aí plantar 7,5 hectares de vinha, ele que até aí se tinha dedicado apenas à produção de citrinos, pêssegos e hortícolas. Dos seus primeiros vinhos trouxemos notícia em 2009 e 2012, a propósito dos seus tintos excepcionais Paxá Regional Algarve 2007 e 2008, respetivamente. Aqui registamos outro vinho deste produtor.

Quinta do Outeiro Regional Algarve 2009 ****/***** (Muito Bom/Excepcional) - €6, 26

Um tinto vinificado com uvas das castas Aragonez, Syrah e Alicante Bouschet, que vai atingir a absoluta excecionalidade em garrafa. E ao fecharmos a crónica recordamos aqui o poeta árabe, governador de Silves no séc. XI, Al-Mu'Tamid: "Sim,/ bebi o vinho derramando luz/ enquanto a noite despia o seu sombrio manto/." (in O meu coração é árabe, Adalberto Alves, edição Assírio & Alvim), porque afinal há no vinho também uma prolongada poesia.